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Gostar de arquitetura e de história da arte sempre fez com que fosse muito atenta aos traços que se mostram, que estão pelas ruas, nos sentidos daquilo por trás do óbvio. Isso se reflete em análises de casas antigas, nos detalhes de igrejas e, com ainda mais força, em tudo o que envolve grandes monumentos. 

Quem acompanha o Mochilinha já deve ter percebido que os sentidos e aspirações do blog foram se alterando e se moldando ao longo dos anos, ficando mais com a minha cara, perdendo um tanto do caráter informativo e se transformando, efetivamente, num diário sobre os lugares por onde andei, do que vi e de como vi tudo o que se mostrou pelos caminhos. Isso tem permitido que muito do que estudei de história da arte pinte aqui e acolá, além de eu jogar, em algumas postagens, detalhes de obras das quais gostei. Assim surgiram "Arco da Rua Augusta: um mirante todinho nosso, ora pois" e "Uma Cartilha Positivista, em Porto Alegre: um pouco de história" , sucessos absolutos no Mochilinha. 

Paris não se furtou e me brindou com um apaixonante monumento, a primeira atração turística na qual coloquei os olhos quando cheguei: Arco do Triunfo. 







Uma das figurinhas carimbadas para quem vai a Paris é a visita a Catedral de Notre Dame, uma bela construção Gótica na Praça Parvis, na Île de la Cité. 


Sempre que leio sobre ela, todas as atenções estão voltadas para seu interior, seus belos vitrais, o órgão e suas pilastras. Pensei que seria assim comigo também. Mas ao chegar, primeiramente sentei no jardim externo para descansar de uma longa caminhada e aproveitei para lançar os primeiros olhares sobre os detalhes tão bem marcados da arquitetura Gótica. Ai começou minha viagem por entre suas colunas, ogivas e esculturas. Então, não falarei do interior e de suas belezas de luz, tons e sons, mas apenas do quanto inovadora foram as técnicas aplicadas para erguer esse símbolo Gótico. 




Andava pensando em Paris, se escreveria a respeito de nossos dias perambulando pela cidade, dos museus, dos bares, de tudo ou de nada. Tem lugares que, por razões muito pessoais, nos dizem muito, mas nada especifico - só pelo conjunto, mesmo. 

Paris foi assim para mim. Viagem muitas vezes adiada, um encontro em muitos sentidos. O terceiro local que coloquei na minha listinha de preferências, ainda no inicio da adolescência, mas muito rodei antes de, finalmente, decidir que era o momento. 

Crianças sonham com a Disney? Pois bem, sonhava em conhecer Recife!! Sim,  ela entrou para meus planos ainda na infância, quando minha mãe falava que desde a juventude pensava em conhecê-la. A vida fez com que ela perambulasse por outras bandas e que eu acabasse conhecendo a cidade antes dela. E foi paixão - tanto foi que logo em seguida retornei, dessa feita a levando comigo. Virou figurinha carimbada, a paixão se transformou em amor, e esse, ao contrário daquela, é sempre eterno. 

O segundo lugar invadiu minha vida e meus sonhos nos anos 90, Machu Picchu! A oportunidade surgiu numa época de vacas bem mais magras, quando meus rendimentos brigavam com os boletos da faculdade. Como boa caprica, deixei para o futuro, pois ainda existiam muitas pedras no caminho a serem removidas na subida da montanha. A Vida me surpreendeu e hoje não posso me expor as altitudes e a bonitinha Inca virou encanto, daqueles que não se realizam. Não há arrependimento ou tristeza nas minhas palavras, só uma saudade daquilo que não vivi. Por isso digo que virou encanto! 

E a terceira era Paris. Essa foi uma paixão construída, de certa forma vivida, com encontros e desencontros. Enquanto todos estudavam inglês, lá estava eu estudando apaixonadamente francês, sonhando em francês, cantando em francês. Sim, em algum momento muito louco a menina de 11 anos resolveu compor uma música e inscrevê-la num Festival de Música Francesa. E lá fomos eu, minha mãe absolutamente apavorada e minha professora, visivelmente amedrontada. Todos acharam a letra linda: "Uma viagem de Porto Alegre a Paris", mas ninguém, absolutamente ninguém me ouviu cantá-la antes da apresentação. Já contei que sou tímida, não? Ao chegar ao auditório, lá estava eu, uma menina mirrada, com um violão embaixo do braço, ao lado de grupos bem estruturados e com banda, para me apresentar para experientes músicos. Sabe que pensando hoje, vejo que foi uma loucura? Mas naquela época, achei a coisa mais natural. Pois bem, sempre digo que foi quando aprendi que o "jamais é um tempo que não me pertence, que não consta do meu dicionário". Nunca existirá. Sentei naquele banquinho e dedilhei ao violão minha criação, minha primeira grande viagem interior. E foi lindo, pelo menos para mim. Bom, entre dez concorrentes fiquei na quarta posição - se não ganhei nada, meu espirito competitivo sobreviveu, afinal não fui a última. Saí feliz que só, a França continuava no coração. 


A Vida foi rolando e me afastei da paixão da adolescência. Por razões diversas, peguei um pouquinho de implicância, tipo namoro rompido. E assim Paris foi ficando de fora dos roteiros, uma desculpa aqui, outra ali. Até que ao fechar o roteiro de nossas férias a Ná pediu e eu cedi - poucos, bem poucos dias na Cidade Luz. 





Há lugares que nos são tão caros, mesmo antes de conhecê-los e, depois, se mostram ainda mais apaixonantes, que acabam sendo difíceis de descrever. Se tornam um misto de realidade e fantasia, de desejos realizados, de puro encantamento. Digo isso para justificar minha impossibilidade de jogar nas palavras meus sentimentos em relação as cores e perfumes, que tirei dos livros empoeirados da infância, que já vai longe, e joguei num dia cinzento de primavera, mas que vivi na mais inteira plenitude. 

Nossa passagem por Paris em abril, num inicio ainda fresco de primavera, com dias espremidos no calendário, tinha como maior razão a visita aos Jardins de Monet, em Giverny. 


Numa manhã fria e úmida, partimos em direção a Vernon de trem, apreciando as paisagens que passavam ligeiras por detrás dos vidros, até chegarmos na pequena e bucólica cidade, ainda tomada por uma fina névoa, daquelas que parece que nos joga areia nos olhos. Da estação, um pequeno passeio de ônibus e lá estávamos, em Giverny, entre os primeiros visitantes do dia. Acredite, estar entre os primeiros tem um grande diferencial, salvo que gostes de dividir suas fotos com multidões, além de curtir as tão belas cores em meio a algazarra generalizada.





Imaginava que chegaria em Paris bastante cansada, depois de passar apenas algumas horas em Lisboa e já embarcar em outro voo. Costumo ficar bastante irritadiça, impaciente e exigente nessas horas, mas adianto que adorei a escolha hoteleira - se sobreviveu ao meu crivo naquele momento, deve ser um bom hotel, mesmo! 

Meu critério para a eleição, como costuma ser, foi a localização - considerando, especialmente, o aspecto noturno. Ele está situado junto ao Arco do Triunfo, ao final da Avenida Champs-Elysées. Em seu entorno, alguns restaurantes e bares, uma zona com boa movimentação de pedestres. Por consequência, alguns metros e já se está na estação de metro. E estando na Champs-Elysées? Todas as comodidades do comércio ao alcance de pés cansados, depois de um dia de andanças.  

As instalações não são majestosas, é um pequeno e simpático hotel, estiloso e com custo intermediário. Mas é delicioso. Possui elevador, mas as escadas são lindas, vale uma passadinha. Há um escritório com computadores, jornais e acesso a internet - não testamos, mas dava umas passadinhas para pegar balinhas, claro. 



Estaríamos em Paris no nosso segundo dia de viagem, depois de um voo Porto Alegre/Lisboa e outro, ainda na madrugada, Lisboa/Paris. Prevendo que estaria destruída depois de uma madrugada sem dormir, observando cacoetes e roncos alheios no primeiro voo, mais o fuso, mais outro voo no final da madrugada seguinte, tratei de organizar bem nossa chegada na cidade. 

A organização importou a contratação de um transfer, evitando assim enfrentarmos filas no ponto de táxi - que estavam verdadeiramente medonhas naquela manhã. Considerando que o desejo era conforto e comodidade (esqueçam o custo, claro), foi uma escolha perfeita. E como escolher um serviço que fosse bom e que não nos empobrecesse? Também para isso nossos amigos blogueiros são especiais. Fui aos maravilhosos blogs que falam de Paris e fácil, fácil encontrei três indicações. Enviei três e-mails e fiquei aguardando retorno - claro que observo a presteza da resposta, conteúdo e gentileza. Bom, um levou cinco dias para responder e foi sumariamente desconsiderado - não tinha a minima intenção de esperá-lo cinco dias no aeroporto, não é mesmo? Os demais foram céleres, claros e gentilíssimos. Mas havia um detalhe, que fez toda a diferença: somente com um o contato era pessoal, diretamente com quem faria o trabalho - foi o escolhido. 

O transfer contratado foi com o Marcos, via blog Conexão Paris. Contato feito, dados confirmados e serviço contratado. Chegamos no aeroporto de Orly, eu absolutamente destruída (moída, picada em pedacinhos, como vocês preferirem) e lá estava ele, sorridente, nos esperando. Discreto, conversamos calmamente e em dois minutinhos (nem tão poucos minutinhos assim), estávamos em frente ao Hotel. Custo do serviço? 70€, pagos no desembarque. Super indico o rapaz, um brasileiro perdido em terras francesas. 

A empresa de Marcos é a Paris my Driver - os dados de contato estão no Conexão, que possui convênio com o prestador do serviço. Veja aqui. 

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