A Serra Gaúcha ficou conhecida pelos vinhos e pela boa e farta mesa. 


Nos primórdios foram as galeterias, com seus galetos ao primo canto e polentas saborosas, as casas alemãs com seus pratos de chucrute e salsichas bock e os cafés coloniais. O tempo passou e chegou o fondue, com as sequências do queijo ao chocolate. Restaurantes que ofereciam o melhor da imigração italiana, alemã, polonesa foram dividindo espaço com um tantinho da culinária francesa, japonesa e as cidades como Gramado, Canela, Nova Petrópolis, São Francisco de Paula e Bento Gonçalves se destacaram no cenário turístico internacional. 


Seria possível inovar? Sempre. Quando já estávamos habituados chegaram os chefs, com seus pratos cheios de detalhes. 


O visitante chega em Bento Gonçalves, olha no entorno, vê lindos vales e já fica encantado. Porém, as maiores belezas estão pelos caminhos, pelas rotas turísticas e gastronômicas que resgatam a cultura de um povo e de uma região. Quando amigos me dizem que conhecem a Serra Gaúcha já vou perguntando se conhecem Bento Gonçalves: sem a visitar não se pode entender essa importante região do Rio Grande do Sul. 


Há tempos queria conhecer a Casa Vanni Espaço Gastronômico, na Rota Caminhos de Pedra, em Bento Gonçalves. A oportunidade surgiu na press trip da Vindima, da qual participei em janeiro. 


Nosso grupo foi recebido na linda casa de madeira com porão de pedras, construída por descendentes de imigrantes italianos, em 1935. Com a conscientização da população para a importância de se preservar a região e para as possibilidades de implemento financeiro pela via do turismo, a mesma foi restaurada pelo projeto Caminhos de Pedra em 1996 e, desde 2008, abriga o restaurante. 


Chegamos cedinho, aproveitamos para passear no entorno, fotografar e conversar nos jardins. 






O espaço é amplo, há estacionamento, gramado para as crianças brincarem, um parreiral e, ao fundo, um pequeno e lindo riacho. Quase perguntei se podia dar uma voltinha na Rural. 




Quando a fome começou a bater fomos recebidos pela chef Jerusa Vanni e acomodados no fresco porão de pedras.


Vamos ao cardápio? Tá, uma saladinha fresca para iniciar, claro. 


O prato principal do dia, do cardápio e uma das delicias da região: Filé da Casa, ao estilo do famoso Filé Wellington. 


Filé mignon, com mostarda e presunto cru, envolto numa massa folhada deliciosa. Acompanha raviólis recheados de berinjela, na manteiga com sálvia. 

Perfeito no tempero, na textura e no aroma. 


O convite era para um almoço harmonizado com vinhos e espumantes locais e o pessoal seguiu o cronograma. Eu, um tanto rebelde e já prevendo as inúmeras degustações alcoólicas que aconteceriam até jantar, me abstive. 

O restaurante é delicioso, o atendimento impecável e alegre, como é típico numa casa italiana, e a chef é uma simpatia. Recebeu com cuidado, fez uma pequena explanação acerca da casa e dos pratos e acompanhou o desenvolvimento dos trabalhos. 

O cardápio traz muitas outras opções, como filé de salmão ao mel, risoto de cogumelos frescos, tortéi, nhoque de ricota, além de uma carta de vinhos e espumantes dos deuses. 



Enquanto o pessoal confraternizava dei uma fugida, fui conhecer o restante da casa. E olhem o que encontrei, um charme. 




Os empreendimentos que vamos encontrando pelos caminhos guardam muito de história, se preocupam com a qualidade dos produtos que vendem e, ainda, com os cuidados com o local e com o lado lúdico num conjunto para encantar. 





Parti satisfeita e encantada. 

Ops, não sem antes provar umas das sobremesas mais comentadas e apreciadas por todos que passam por lá, a Pana Cota com calda de frutas. 



Informações:

Casa Vanni
Rota Caminhos de Pedra - Linha Palmeiro, 795. 
Bento Gonçalves. 

55.34556383

***************
As experiências narradas nessa e nas demais postagens que se originarem de nossa participação na intitulada #pressdavindima2016, patrocinada por empresas da região e organizada pela ConceitoCom Brasil, trarão apenas opiniões 
isentas e de cunho pessoal, como de praxe nesse espaço. 







Há tempos era convidada para conhecer um lugarzinho diferente, mas permanecia na minha zona de conforto, variando entre a região central da cidade, Moinhos e Zona Sul. Ontem topei rodar até o bairro Santana, aqui do ladinho, para conhecer o tal intitulado GastroPub da Colônia, o Cuca Haus.


Casinha simpática, numa rua residencial, com decoração simples, charmosa e um atendimento gentil. O que mais precisaria para ser perfeito? Um cardápio com opções bem ao gosto dessa blogueira que, no fundo, não gosta muito de inovações.


Sabia que a especialidade da casa eram as Cucas. Cucas? Sim, aquele misto entre pão e bolo, típico da colônia alemã e tão comum na Serra Gaúcha. Até aí tudo certo, adoro cucas: docinhas, com aquela farofa irresistível por cima e, se tiver uvas ou bananas fatiadas, o melhor acompanhamento para um chá preto. Espiem elas aí, no balcão, prontas para serem levadas para casa.


Qual o receio, então? É que fomos jantar! Na entrada a imagem de um porco já anunciava que a carne suína seria uma das vedetes da noite.


Como aquele pãozinho doce poderia combinar com o salgado dos lanches propostos? Combinando, acreditem.

Escolhemos um hambúrguer misto de linguiças, no pão de cuca, acompanhado de alface americana, cebola roxa, gergelim preto e um molho de gorgonzola com curry.


Conseguem imaginar minha cara de desconfiada, enquanto lia o cardápio e fazia a escolha que me parecia menos insólita? Resolvi que o melhor era pedirmos apenas um lanche, para partilharmos. Enquanto a cozinha fervia preparando os pedidos, fiquei espiando as mesas ao redor, com pratos variados e absolutamente bem servidos. A travessa de pedaços de cuca com linguiça me pareceu dos deuses.

E cá está nosso lanchinho, com a típica farofinha de cuca o recobrindo.


Irmãmente divido, cortei o primeiro pedaço e trouxe o garfo junto ao rosto, para poder sentir o aroma. Exalava um perfume que era um misto de temperos com aquele cheirinho característico de cuca recém saída do forno. Mesmo não sendo adepta da mistura de sabores doces e salgados, me deixei mergulhar naquela nova experiência. Os sabores se complementam com perfeição, interagem e se harmonizam.  


Enquanto escolhia o lanche, como a leitura não estava me cativando, já fui dando uma conferida nas sobremesas, claro. Uma olhada rápida e ela já estava eleita: apfeistrudel.

Seguimos a indicação da casa de fazer o pedido da sobremesa junto com o lanche, pois ela é preparada na hora e de forma individual. Meus olhos brilharam, quis ela sozinha, sem sorvete, pois desejei conhecer seu sabor, sem interferências.


Quando estávamos terminando o jantar a sobremesa chegou fumegante e deixando o aroma doce no ar. Bonitinha, coberta por muito açúcar de confeiteiro e inteira. Nada de fatias retiradas de uma torta: ela era única, exclusiva e isso parecia perfeito.


Apfeistrudel é uma sobremesa bastante comum por essas bandas, um sabor disseminado pela colônia alemã e que casou muito bem com o paladar dos gaúchos. Posso assegurar que é minha velha conhecida e que já tive a oportunidade de prová-la muitas e muitas vezes, pelo mundo. Alguma surpresa, além da forma como foi servida? Muitas!

Massa macia e sem crocâncias exageradas, recheio generoso, morninho e com a fruta numa textura perfeita. Uma delicia. Ainda que não tivesse curtido o lanche, e curti, voltaria apenas pela sobremesa.


Essa foi uma forma espetacular de conhecer mais um sabor para se somar aos 50 Sabores de Porto Alegre. Fui surpreendida pelo conceito e pelos sabores. Voltarei.


Informações:

Cuca Haus - Gastro Pub da Colônia
De terça a sexta, das 17 às 24h.
Sábados das 15 às 24h.
Rua São Luiz, nº 1101.
Santana - Porto Alegre.






Sampa, como chamamos por aqui, sempre reserva lindas surpresas para mim. Figurinha carimbadíssima na minha história, lugar de muitas e deliciosas paixões, sempre enche meus dias de sorrisos, abraços, de cor e meu coração de aconchego. Lugar de encontros. 

Na última passadinha não foi diferente, foram dias repletos de encontros especiais. O almoço de sábado reservava uma revisitada ao grego para um almocinho com a Flora. Logo ela, que é "novidadeira" como diz, já se rendeu aos desejos dessa criatura repetitiva. 

Saímos de lá para uma caminhada até a confeitaria e, enquanto nos perdíamos pelos Jardins, nos achamos em sabores. 

Nós, eu e Flora, numa conversa animada e observando o super aclive que nos esperava ouvimos a Ná, lá atrás, chamando para vermos um achado. Sim, tínhamos passado papeando e nem percebemos a lojinha. Quando ela disse que queria espiar azeites, torci o nariz - tão eu, afinal! Voltamos. 


Voltamos, iup!!! 


Quando entrei na loja, recebida por um sorriso convidativo da vendedora Fátima, fiquei encantada. 

Muito menos preocupada com os azeites, especiarias, licores e grappas, do que com os expositores onde estão acondicionados os produtos, claro. O layout é convidativo, os expositores são uma graça e as garrafas e vidrinhos são apaixonantes - sim, amo bugigangas. 



Fiz um tour por todos os cantinhos, antes de me render aos sabores que aqueles lindos expositores reservam aos clientes. 


A Vom Fass, franquia alemã, oferece azeites, vinagres, licores, grappas, destilados e especiarias a granel. O espaço possui ainda uma área para eventos envolvendo harmonizações de sabores. 



Se o desejo for apenas de um vinho e espumante, eles possuem rótulos bem interessantes. 


Podes provar as mais diversas misturas, escolher quais são mais apropriadas ao seu paladar, antes de escolher as embalagens e quantidades desejadas. O atendimento é espetacular, mega paciencioso e o tempo passa sem que a gente sinta. 




Provei apenas um azeite, um balsâmico com ameixa e licores de baunilha e de rosas. Pulei as grappas, mas não me furtei de deixar meu olfato brincar com as possibilidades. 




Escolhidos os sabores da vez, pois a malinha de mão já estava com a lotação esgotada, fui viajar por entre os vidros, garrafas e pequenas botijas. 



Como a venda é feita a granel, as embalagens a partir de 100ml são vendidas em separado. Escolhes a que melhor atende aos seus interesses - praticidade, tamanho e beleza - e depois a vendedora preenche com os sabores escolhidos. 



Azeites, com limão siciliano e alho, além de um licor suave de baunilha. Essas foram as comprinhas da vez. Só? Não, antes de escolher os sabores, escolhi as embalagens, claro. Uma garrafinha com rolha de 250ml e vidrinhos casados mimosos (aqueles que um encaixa sobre a tampa do outro). 

As embalagens vendidas são retornáveis e ganhas um manual explicativo de como higienizá-las antes da próxima compra. Bom, eu como gosto de juntar vidrinhos e outros, sempre esquecerei de levar os meus.


Cada qual saiu com seus sabores, entre azeites, grappas e balsâmicos. Ainda na loja, as gulosas, já foram relatando como pretendiam usá-los: balsâmicos com queijos, torradinhas com azeite, sobre o salmão....

Sabe aquele amigo metido a chef, que está sempre na cozinha inventando delicias?  Pois é, lugar ideal para comprar presentes para ele. 


Os sabores me ganharam? Claro, mas não serão só eles que farão com que retorne. O lugar é convidativo, é lúdico escolher entre sabores diversos, acondicionar em recipientes lindos, além de ser uma festa para os sentidos. 


Curto encontrar esses lugares pelo mundo, mas sempre fico um pouco chateada quando os encontro muito distantes de casa, pois fico desanimada em carregá-los. Dessa vez estavam ali, tão perto de casa. 

Saí da Vom Fass levando os perfumes captados pelo olfato já armazenados na minha memória afetiva de São Paulo. 



Para o Topo