Meu coração, sem direção,
voando só por voar.
Sem saber onde chegar,
sonhando em te encontrar*

Rodar e rodar pelas estradas que me trazem para casa, de todos os pontos para o único onde eu sou mais eu, completa. Essa sempre foi a sensação que tive ao chegar em minha cidade, desde a infância, quando retornava das viagens de carro ou ônibus e já ficava com os olhinhos estrelados junto da janela, cuidando as primeiras luzes despontarem no horizonte. A sensação inconfundível de sentir os aromas que não estavam no ar, mas só na minha saudade.

E as estrelas, que hoje eu descobri no seu olhar.
As estrelas vão me guiar. 


Com o tempo passei a ver as luzes mais do alto, por entre nuvens e pertinho das estrelas, quando a escuridão é vencida pelo brilho do amor. Como é lindo sobrevoar um mapa tão conhecido.


Se eu não te amasse tanto assim,
talvez perdesse os sonhos dentro de mim.
E vivesse na escuridão. 


Minha cidade? Poderia ser Paris, Roma, Londres, mas é Porto Alegre, a pequena capital dos gaúchos. Aquela que mora junto as doces águas de um lago, que suavemente nos embala, imenso e cheio de braços, chamado Guaíba.



Tão pequena, quase esquecida aqui pras bandas do Uruguai, paradinha de quem passa para visitar a Serra Gaúcha ou o litoral catarinense. O emaranhado de viadutos e pontes que levam os turistas para longe dela, para além fronteiras e que não permite que se apaixonem por suas ruas estreitas, seus casarões portugueses e seus tantos e verdes parques. 




Se eu não te amasse tanto assim,
talvez não visse flores,
por onde eu vi,
dentro do meu coração.




Andar por suas ruas, garimpar atividades culturais, passear no parque e terminar o dia entre flores e amores. Há que se procurar cores nos altos e baixos, sentidos para os dias de concreto e suavidade nos meios mais simples de ir e vir.





É preciso ver além, de dentro para fora.





Uma vida simples, mas sem brevidades. O desinteressante que encanta, o se precisar de muito pouco para ser feliz. A cidade que acolhe, mistura, dá voz e que se cala para ouvir os sons dos sabiás que invadem as madrugadas, com seus relógios desregulados, nos arrancando das camas. Bom, que nos acordem antes que ela se despeça, para que possamos, por mais uns minutos, nos encantar.


Porto Alegre é a cidade que permite, que oferece e que muitas vezes nega. Às vezes suja, descuidada, com áreas em ruínas, outras tão violentas. Mas ela é plural, como os sons daqueles que vagueiam por suas noites, que se embalam nos balanços das praças e deixam que os sons das correntes corram por entre os prédios como que vindos do além. 



Aquela que nos dá cores, que as subtraí, que se mostra e se encobre, como crianças que brincam de pique e esconde.



Hoje eu sei, eu te amei, 
no vento de um temporal.
Mas fui mais, muito além, 
do tempo do vendaval.




E nos dias tão frios do inverno a gente espia o cair do sol, com cores fortes e já torcendo para que ele vá mudando de ponto, dia após dia, até que se despeça junto as frestas do Iberê e anuncie a primavera. 




Os dias correm mais curtos, só para que ela, a primavera, chegue mais rápido. E ela vem, fazendo graça, cheia de cores e tons, puxada pela floração dos Ipês e Jacarandás que são os verdadeiros donos das ruas dessa querência. 



Nos desejos, 
num beijo.
Que eu jamais provei igual,
e as estrelas, dão um sinal.




Lugar de uma gente singular, com um sotaque único e que às vezes, só às vezes, sabe surpreender.



Mas que mais que tudo, ama ser surpreendido.



Enquanto nos deliciamos com o símbolo de nossa cidade, que inverno e verão troca de cores, mas não abandona o Guaíba seu amor, as estrelas que tomam conta do céu nos avisam que a lua, faceira, chega pelo leste para iluminar as noites como já fazia quando ainda éramos só uma freguesia da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. 





O olhar, sempre ele, permite que num suspiro poético deixemos que se encontrem, um partindo e o outro chegando, para matar as saudades num rápido enlace.



Se eu não te amasse tanto assim,
talvez não visse flores,
por onde eu vim,
dentro do meu coração. 




O encanto das paixões e dos amores não estão em suas curvas, que se perdem e se transformam com o tempo, que envelhecem, perdem um tanto do gracejo de outrora, mas nas sensações e prazeres que nos causam, marcam e que guardamos na memória e no coração, eternamente. Com as cidades como com as pessoas, o que importa é mantermos os braços sempre abertos para os abraços, para a compreensão e para a felicidade. 



_____

Esse texto foi escrito um pouco para ela, Porto Alegre, outro tanto para os amores que com ela me fazem melhor, mais leve e menos breve.

E como colorir, na medida, esse poema? Com a ajuda de um amigo que as redes sociais trouxeram para minha vida e que com suas lentes me mostra, diariamente, os ângulos mais lindos dessa cidade, que é nossa. Um grito de socorro e o Alex Fabiani forneceu muitas das imagens que traduziriam minhas letras. Um post despretensioso, para mim um poema construído a quatro mãos.

Conhecem o Alex? Recomendo que o sigam nas redes e que desfrutem de sua paixão pela fotografia:

instagram.com/alex130869

facebook.com/alexfabiani.santos

* A música que entremeia o texto é "Se eu não te amasse tanto assim", de Herbert Vianna. Composta para sua esposa Lucy é, para mim, sua obra prima.


Rio Grande nos recebeu com uma chuva de inverno incessante, que atrapalhou um tanto nosso tour histórico, como contei aqui, mas em nada um dos melhores jantares da viagem e nem nossa hospedagem na maior praia em extensão do mundo. 

O Casa Europa Gastrobar nos recebeu para um delicioso jantar. 


O lindo espaço, na região central da cidade, possui ares super modernos. 


Foto: Criz Azevedo
A decoração tem detalhes que são um charme e o torna ainda mais aconchegante. 


Numa noite muito fria encontramos um tanto de calor, ambiental e humano, no Casa Europa. Agora, somem a isso o chef Gustavo Rodenheber e o local se torna imperdível. Ops, não sabe quem ele é? Um jovem com currículo carimbado no Dalva & Dito, do Alex Atala (São Paulo), no Hotel Nassauer Hof (Wiesbaden - Alemanha) e no Restaurante L'Assiete (Camboriú), duas vezes o melhor restaurante do Litoral Norte pelo ranking da Veja. 

Enquanto eu seguia com mais uma dose de cafeína, minha já famosa coca-cola com gelo e limão, as meninas abriram os trabalhos com Mojitos, com e sem álcool. Muitos elogios, é o que posso contar, já que não provei. 

Foto: Roberta Martins
As delicias, no meu caso, começaram com a chegada do couvert. Pedacinhos de focaccia, pão do campo e broa de milho, em pacotinhos individuais. Ao abrir, um aroma suave e morno invadiu o ambiente. Para acompanhar, uma manteiga amendoada deliciosa, além de outras coisinhas. 


O papo rolou solto, com muitas fotos e risadas. De repente silêncio total, a chuva fria lá fora e um delicioso caldo de mandioquinha com carne de costela desfiada, trazido pela atendente, reina absoluto sobre a mesa. 


Confesso, nem teria jantado depois do caldo quente. Ok, não resisti. Uma saladinha, para comprovar o quanto sei ser light, acompanhada de um ragú de ossobuco. 




Para que a experiência fosse completa, um sorvete acompanhado de peras picadinhas, calda de caramelo e farofa. 


Fomos as primeiras a chegar e ficamos tão entretidas em meio aquelas delicias que só percebemos ao sair que a casa já estava lotada, numa segunda-feira. Imagino que seja de bom tom e garantia de satisfação efetuar a reserva, com antecedência, especialmente para as mesinhas junto às janelas. 


Foto: Criz Azevedo
Ufa, foi um dia cheio e a terça-feira prometia muitas emoções. Hora de pegar a estrada para encontrar as caminhas que nos esperavam. 

Rio Grande conta com a maior praia em extensão do mundo, com uma área em linha reta de 240Km. Entre os gaúchos que a frequentam animados, especialmente moradores das regiões sul e da campanha gaúcha, além de muitos uruguaios e argentinos, é o balneário onde se estacionam os carros na areia, se montam tendas, churrasqueiras e onde se espanta o calor com um banho de mar, entre um pedaço de carne gorda e outro. Ela é tão, mas tão peculiar, que só a visitando no veraneio para entender. Bom, estávamos por lá no inverno, mas resolvemos pernoitar no Cassino, distante 18Km da cidade, para incluirmos na Rota Farroupilha o local tão cheio de nuances.


Foto de divulgação: Lira Apart Hotel

O Lira Apart Hotel havia reservado um studio para nos receber. Ideal para quem visita o local em família ou entre amigos, já que conta com duas camas de casal e uma pequena cozinha, suficiente para o preparo de refeições rápidas.  Para os dias frios ou muito quentes, ar condicionado, além de wi-fi para os internautas desesperados.










Quando contamos para o atendente que sairíamos muito cedo, bem antes do horário do café-da-manhã, ele não teve dúvida: "providencio um cafezinho e alguns frios para vocês". E olhem só o que nos esperava ao amanhecer, um desjejum delicioso.



Foi fácil concluir as razões de ser uma das hospedagens mais recomendadas pelo Booking e pelo TripAdvisor. As instalações são novas, além de possuir uma estrutura capaz de atender tanto aos veranistas, como aos turistas de inverno, nosso caso. 

Conta com salão de jogos, piscina (aquecida de março a dezembro) e espaço kids. 




Para dias frios? Lareira, na sala de estar. 


O Cassino é considerado o balneário marítimo mais antigo do Brasil, inaugurado no ano de 1890 com o nome de Vila Siqueira. Conta a história que sua criação foi inspirada no Balneário de Biarrits, na França - por lá, uma pequena aldeia de pescadores se tornou um balneário, depois de ser descoberta pela escritor Vitor Hugo, em 1843. Possui 240Km de extensão, atualmente passando por municípios entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar - da Noiva do Mar até a Reserva Ecológica do Taim. 

A criação do balneário foi delegada para uma empresa privada e na sua inauguração já contava com hotel com 136 quartos, salões para concertos, bailes e jogos, enquanto que os hospedes eram transportados até a praia em bondes puxados por burros. O balneário adotou esse nome após se tornar sede do Hotel Atlântico, que contava com um Cassino muito frequentado por europeus. 

Antes de retornarmos para Rio Grande, onde tomaríamos a lancha que nos levaria para São José do Norte, fomos dar uma volta pela comunidade, tendo como guia a Roberta. Natural de Pelotas, a Rô passou muitos verões no balneário, em companhia de seus avós. Uma delicia andar por aquelas ruas, ouvindo doces histórias da infância de uma amiga, enquanto o vento uivava nas esquinas. Sim, o dia amanhecia sem cores, um tanto nublado. 


Não sei se a paulista curtiu, mas a gauchada foi molhar as botas nas águas do Atlântico, pois como se diz por aqui, não nos mixamos para qualquer frio ou para o Minuano. 

No Cassino os olhos correm soltos, livres e sem interferências. Tem muito mar e areia para receber com conforto quem chega, isso fica claro. 

Bom, não havia tempo e partimos. Ops, quase esquecemos da paulista: a Gardens e seus momentos sem supervisão!!! 


Informações:

Casa Europa Gastrobar
Rua Benjamin Constante, 460
Rio Grande - 53.30356257
Lira Apart Hotel Praia do Cassino 
Rua Lisboa, 353
Balneário Cassino - 53.3236143
reservas@liraaparthotel.com.br



O jantar e a hospedagem nos foram oferecidos em sistema de parceria, mas as opiniões aqui expostas não
sofreram qualquer influência.




A viagem #RotaFarroupilha é um projeto do Territórios e do As Peripécias de uma Flor, em parceria com os blogs Café Viagem e Mochilinha Gaúcha, que contou com as participações especiais de Andarilhos do Mundo e da jornalista Criz Azevedo. O roteiro teve o apoio de empresas regionais como BC&M Advogados e Agropecuária Sallaberry, além do suporte do Sebrae Costa Doce e de algumas secretarias de turismo. A viagem usou como base o Caminho Farroupilha elaborado pelo Sebrae RS e oferecido, como pacote turístico, pela Tchê Fronteira Turismo, de Bagé/RS.
















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