Inverno e verão, sem pular os outonos e primaveras que enchem nossas vidas de cores, Garibaldi se mostra um dos destinos mais bucólicos da Serra Gaúcha. 



A pequena não vive apenas das borbulhas que proporciona nas taças, mas de uma série de rotas que oferecem o melhor da gastronomia e de um turismo voltado para experiências únicas. 

Multicultural, formada por descendentes de italianos, sírios-libaneses, portugueses e alemães, mostra toda essa mescla ao propor experiências que fogem um tanto daquelas vividas nas badaladas ruas de Gramado ou Canela. 

Nas noites frias todos se recolhem aos interiores de casas, belos hotéis e aconchegantes restaurantes, onde é possível usufruir da gastronomia italiana e alemã, do calor do fogo e se deixar embalar pelas tantas histórias de superação de uma gente cheia de esperanças e que fez, de muitos limões azedos, uma doce limonada. 

Quando o calor chega é hora de erguer as taças e deixá-las transbordar, ganhar as ruas e estradas interioranas, sentar nos gramados e se jogar na Fenachamp - a Festa do Espumante! 

A pergunta que se repete: o que fazer na Terra do Espumante? Venha para a antiga Colônia Conde D'Eu e descubra como seus dias podem ser especiais.

Largue o preconceito com a pequena, talvez menos famosa entre suas primas ilustres, reserve uma suite aconchegante num dos lindos hotéis da cidade e se permita descobrir alguns dos seus tantos encantos. Não é uma terra para se ver de passagem, é para ser vivida.

A Fenachamp é hoje o grande evento da cidade, que conta também com o Garibaldi Vintage e Wine Movie Peterlongo. Fora isso, rotas gastronômicas, muitas vinícolas e o calor de um povo que tem prazer em receber, com um apertado abraço e com a mesa sempre posta. 

Visitei Garibaldi, mais uma vez, e dessa feita convidada pela Secretaria de Turismo e pela organização da Fenachamp 2017. Foi uma oportunidade diferenciada de receber informações mais precisas sobre sua história, seus diferenciais, conhecer alguns empreendimentos, revisitar outros e ter um contato direto com aqueles que estão trabalhando os aspectos turísticos do município. 

Posso tentar fazer um daqueles posts do que ver, o que comer e onde dormir? Garibaldi não deve ser uma cidade de passagem, anote isso. 


Fenachamp

Foi em Garibaldi que se produziu a primeira champagne do Brasil, na cave cheia de histórias da Vinícola Peterlongo. O tempo passou, a colônia se transformou em cidade, as famílias prosperaram e se multiplicaram e as taças continuam transbordando de histórias. 



O Champagne se transformou no Espumante, a bebida ganhou sua própria Festa e todos os anos gaúchos e turistas invadem a cidade para cantar, dançar e se deliciar com a bebida que é a Rainha local. 

Muitas marcas, rótulos campeões e os dias correm alegres e dançantes. São diversos pavilhões onde se pode conhecer a produção local na área de vitivinicultura, alimentação, produtos orgânicos, artesanato e tudo o mais que a indústria local oferece, além de shows com artistas nacionais. 

Falta pouco e já está na hora de grifar na agenda o período de 05 a 29/10/2017, adquirir um passaporte e uma taça e entrar para a turma do dançar, beber, cair e levantar. 


"Passadas, a arquitetura do olhar"

Poderia ter nome mais lindo? Caí de amores! 


Passadas é um roteiro arquitetônico cultural, que possui um guia impresso detalhado e que proporciona ao viajante percorrer o trajeto onde se encontram casas históricas preservadas, que contam muito da imigração e da integração das diversas regiões do Rio Grande do Sul. 



A Colônia Conde D'Eu, antes de uma cidade, era o local para onde eram direcionados os grupos de imigrantes que chegavam, cheios de esperanças, às distantes terras do sul do Brasil. Durante anos era ali que famílias desembarcavam, permaneciam alojadas por alguns dias numa espécie de quarentena, antes de receberem suas enxadas, pás e títulos de terras e partirem mata adentro para construírem o que hoje vemos. Primeiro alguns portugueses e índios, após 15 famílias alemãs (prussianas), depois a onda de imigração italiana, os mascates sírios-libaneses, os tropeiros que se deslocavam do Sul e Campanha Gaúcha em direção às terras do Norte, a influência francesa trazida pelas ordens religiosas e, dessa mistura, uma bela herança arquitetônica.



Poucas décadas após a chegada dos primeiros habitantes a prosperidade já se fazia sentir na arquitetura. Hoje, com parte do acervo preservado e tombado, a cidade se orgulha de possuir o maior núcleo de arquitetura italiana colonial em alvenaria da região sul, com bem mais de trinta prédios. 



Há muitos imóveis preservados e espalhados pela cidade, mas a rua Buarque de Macedo, bem no centro de Garibaldi, é o núcleo tombado. Sofreu um processo cuidadoso de revitalização, teve toda a fiação realocada no subterrâneo e as casas permanecem ocupadas e proporcionam uma experiência viva. Passear por ali é como voltar ao tempo onde o comércio formava seu núcleo ao longo da antiga estrada, que ligava as cidades da região. 




Tim-Tim, o imperdível tour histórico

Um caminhão GMC 1944 sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, adaptado ao transporte de passageiros, seu motorista há décadas e um guia de turismo. Essa é a receita para um tour histórico sensacional. 



Com nome que faz alusão ao brinde da bebida mais famosa da cidade, em 1990 o antigo GMC ganhou as ruas de Garibaldi. Diariamente percorre o centro histórico e arredores, ao som de músicas típicas da colônia italiana, sob o comando do Sr. Corbelini. Há mais de duas décadas dirigindo o Tim-Tim, o alegre motorista enche os turistas de histórias, antes de tomar a direção e entregar o microfone para um dos guias de turismo da cidade. 



Se percorrer as ruas do centro histórico com o guia impresso Passadas nas mãos já é maravilhoso, muito mais é subir no Tim-Tim e ouvir as mil e uma histórias sobre as casas e seus antigos moradores. É como se ao olhar para uma janela ou porta, pudéssemos ver, por ali, alguns de seus primeiros moradores, colocando cobertas nas janelas para apanhar uns fachos do sol de inverno ou os comerciantes recebendo seus clientes. Aqueles homens e mulheres, que desbravaram e transformaram o local, não se perderam no tempo, estão por ali, nas palavras e histórias contadas pelos guias e que tanto encantam os turistas. 

O tour parte das proximidades da sede da Vinícola Garibaldi. Maiores informações sobre os horários de saídas e sobre possibilidade de agendamento: (54) 3462-8235. 


Osteria Della Colombina

Uma rota rural, juntinho da cidade, um antigo casarão familiar, um porão de chão batido e uma família de mulheres fantásticas. Assim surgiu um dos primeiros empreendimentos turísticos da região, que cresceu e hoje oferece experiências únicas aos pequenos grupos que recebe aos finais-de-semana. 

O Estrada do Sabor é um dos roteiros turísticos de Garibaldi e a Della Colombina é uma de suas precursoras. O maior ensinamento? Como sair de uma situação difícil transformando em renda aquilo que de melhor sabiam fazer. 



Com receitas de familia, a descendente de italianos Odete, com o auxilio de suas quatro filhas, oferece na Osteria pratos típicos e saborosos, utilizando a produção orgânica da pequena propriedade. 

Entrar no antigo porão é uma volta no tempo. Ao pisar aquele chão de terra batida, com as irregularidades típicas das marcas dos passos de quem ali viveu ou por ali passou, é se permitir a paz de outros tempos, ainda que apenas por algumas horas. Longas mesas com suas toalhas de algodão alvo, o calor do fogo e os aromas que ganham o ambiente são o cartão de visitas do local. 






Alguns minutos de uma oficina de produção de Colombinas - Oficina Mãos na Massa, pequenas pombas moldadas em massa de pão e, depois, o prazer de uma refeição saborosa acompanhada de um fantástico suco de uva ou de uma boa taça de vinho. Receita de felicidade, das melhores. Garanto que a experiência na Mãos na Massa é muito divertida, para adultos e crianças. 




Depois da refeição, que tal uma caminhadinha? A pequena propriedade instituiu um roteiro a pé, com placas indicativas, proporcionando maior liberdade no contato com as formas de produção e animais. É possível passar pelas hortas, com seu tratamento orgânico, pelo alojamento dos animais, além de visitar uma antiga construção onde estão muitos equipamentos agrícolas usados antigamente na propriedade, fotos e antigos utensílios de cozinha. 






Recomendo! 

O local é pequeno, serve almoços aos finais-de-semana e está sempre lotado. Não vá sem reservar: (54) 3464-7755. 


Sitio Crescer




Na Rota Orgânica, o sítio é um empreendimento novo, voltado ao turismo rural de experiência. Todo o trabalho é desenvolvido em comunhão com a natureza, dentro de técnicas de baixo impacto ecológico. 





As atividades se dão numa vibe de sustentabilidade excepcional, onde tudo é pensado para proporcionar um aprendizado quanto ao reaproveitamento de materiais e descartes, trabalhar a transformação e oferecer contato com a natureza. 



Possuem um hostel novinho, com dois alojamentos simples e sustentáveis, de baixo custo e ideais para grupos, além de quartos individuais. A área de hospedagem conta com construção de tijolos ecológicos, telhas TetraPak, aquecimento de água por energia solar e fossas com filtros biodegradáveis. 




Oferecem espaço para eventos, SitioTour - passando por cascatas e mata preservada, banho de açude, além de lindos espaços para desenvolvimento de atividades espirituais. 



O almoço que nos foi oferecido estava maravilhoso, com saladas de verduras e flores produzidas nas hortas da propriedade, além do melhor suco de goiaba vermelha da vida. 








Para passar o dia ou pernoitar, um local cheio de ensinamentos, simples e práticos, de sustentabilidade. 

Informações e reservas: (54) 981112204. 


Devorata - Trufas Artesanais

Voltamos para os empreendimentos urbanos, com uma doce parada na Devorata. 



A produção de trufas artesanais, cheias de cuidado, é a arte desse empreendimento. E são deliciosas, garanto. 

Doze mãos, doze sabores e muito amor. Ingredientes de sucesso, que fazem das trufas a sensação da cidade. 



Visitamos a loja, em frente a Vinícola Garibaldi. Degustação, histórias e compras garantidas. Em breve, será inaugurada a filial Contêiner, no Vale dos Vinhedos.  




Madelustre - fábrica artesanal de vidros

Já tiveste a oportunidade de curtir a produção artesanal do cristal veneziano? As atividades na Madelustre são uma oportunidade de agregar essa experiência, mas com o vidro. 



Na vidraria produzem diversas peças, desde de lustres e bojos, até centros de mesas e copos. Possuem uma loja repleta de lindas peças, com preços maravilhosos, mas ainda acho que o mais gostoso é acompanhar a produção na fábrica. 



Da matéria prima, passando pela transformação em peças, até a etapa do acabamento. Trabalho artesanal, detalhista e com resultados muito legais. 




Os meninos interrompem a produção em série para uma demonstração rápida e, ao final, só aplausos para a beleza do trabalho. 



Tá, mais é só isso, perguntarão alguns. Não, não é. 

A Madelustre foi a responsável pela confecção da maior taça de espumante do mundo. Ufa, é taça pra mais de metro: com 2m19cm e 33 Kg, tem capacidade para 186 garrafas. É possível fotografar com a pequena, enquanto descobre mais sobre a história do vidro e de seu uso como conhecemos hoje. 



O tour possui um custo por pessoa, mas que pode ser revertido em compras. 

Informações: (54) 3462-9500


Hotel e Hostaria CasaCurta

Um hotel histórico, lindíssimo e, recentemente, restaurado. 




Uma Hostaria aconchegante e um cardápio repleto de delicias. Jantares harmonizados, vinhos e espumantes. 




Visitamos as instalações do Hotel e fomos recebidos, juntamente com a Corte da Fenachamp 2017, para um jantar harmonizado, na Hostaria. Isso já me dá elementos para discorrer sobre a beleza do restauro, das salas e salões do hotel, bem como acerca do primor da cozinha, mas deixarei para dissertar após minha próxima visita, que já está agendada. 







Maldade? Não, só por querer deixar para você o mesmo gostinho de quero mais que estou sentindo. 




Vinícola Garibaldi 

Qual a fórmula para crescer e ter sucesso? Para os fundadores da vinícola foi a união, em torno de objetivos comuns. 



Os produtores da região iam bem, a produção crescia e era comercializada. Mas o mundo deu uma sacudidela em 1929 e, do nada, as videiras estavam carregadas, as pipas transbordando e a comercialização emperrada. O vinho se acumulava nas pequenas propriedades do interior, havia uma dificuldade logística de distribuição e comercialização, mas a certeza de que sairiam daquela situação era viva. Pronto, em 1931 setenta e três produtores fundavam a Cooperativa Garibaldi. 

Superou todas as expectativas, pois em 1935 já eram 416 produtores e 4 milhões de litros. Turbulências do período da guerra superadas, em 1958 a produção atravessa o oceano e ganha as mesas da Europa. No ano em que comemoraram 50 anos de fundação ocorreu a 1ª Fenachamp e as histórias todas se cruzaram, definitivamente. 



Não há gaúcho que não tenha emborcado uma taça de vinho ou degustado um delicioso sagú de vinho tinto, com rótulo da cooperativa. 

Hoje o enoturismo é uma realidade e a Vinícola Garibaldi oferece um pequeno tour guiado, onde o visitante pode conhecer os antigos equipamentos de produção e armazenagem, entrar nas grandes pipas, até conhecer os modernos tanques. Reformulação de áreas possibilitam hoje espaços para reuniões, degustação e varejo. 



A empresa possui rótulos entre os melhores do Mundo, como o Espumante Moscatel.



O constante treinamento dos funcionários foi o que mais me chamou atenção. Cursos são oferecidos e todos aqueles que recebem os turistas estão preparados para explicar acerca da produção, dos rótulos da casa e possuem elementos para compará-los aos demais que são produzidos pelo mundo. 


Em determinadas épocas oferecem a degustação às cegas. 

O atendimento é diário e não necessita agendamento, salvo para grupos. Informações: (54) 3464-8104. 


Vinícola Peterlongo

Por essa tenho um carinho mais do que especial, pois serei sempre grata pelo carinho com que receberam as mais de 50 pessoas que integravam o #TchÊncontro - Encontro de Blogueiros de Viagem, que organizei em 2015. 

Dias loucos, com alguns desencontros de agenda, que culminou com aqueles presentes que o destino proporciona: João Ferreira, Lucinara Masiero e a Vinícola Peterlongo nos abriram a Cave e as histórias da primeira produtora de Champagne do Brasil. Muitas histórias, um tanto de novos conhecimentos, uma harmonização deliciosa e muitos presentes para a super turma, formada por pessoas vindas dos lugares mais variados do país.



Dois anos depois refiz a visita, mas já encontrei a empresa numa fase de remodelação e nem todos os caminhos ainda são os mesmos. Quem esteve no TchÊncontro guardará para si um pouco da história, em constante transformação. Antigas pipas estão sendo retiradas da Cave, dando lugar aos modernos tanques, capazes de dar guarida para um produção que só faz ganhar em qualidade e colecionar prêmios. Passarelas serão instaladas e uma nova espécie de visitação será oferecida.

A Peterlongo, desde quando foi sonhada, sempre um passo a frente de seu tempo. Uma empresa que se reinventa, sem esquecer uma vírgula de sua apaixonante história, de seu pioneirismo. É a empresa fora da França autorizada a usar a designação de Champagne, para parte de sua produção. 

Fundada por um agrimensor italiano que fez fortuna mapeando as terras da Serra Gaúcha, um visionário que encontrou fórmulas para construir uma Cave com a temperatura perfeita mantida apenas por métodos naturais. 

Um empresa que cresceu e teve seus períodos difíceis, com rótulos que se popularizaram não pela qualidade, mas que pela união de seus trabalhadores e novos investidores está sabendo relançar seus produtos nos mercados nacionais e internacionais, com qualidade assegurada por prêmios de altíssima distinção. 



Se a qualidade vem das videiras e o dinheiro dos mercados, qual a razão de gastarem milhões em revitalização de prédios antigos e recuperação de acervo histórico? Pois é, é desse conjunto que é feito seus sabores. 

Não vou repetir as histórias que já contei, e que estão aqui. , pois desejo que as vivam, como eu. 

Bom, mas como estão sempre se reinventando, desde 2016 oferecem o Wine Movie. É o turismo de experiência tomando os jardins do antigo Castelo, junto a Cave. De tempos em tempos, em noites quentes, o público se espalha pelos jardins para assistir filmes no telão ao ar livre, enquanto degusta os vinhos, sucos, espumantes e o champagne da casa. 



Informações: (54) 3464-1355.


Garibaldi Vintage

Esse evento ainda está nos meus planos, não encaixou na minha agenda. 

Parece ser uma idéia sensacional, pois todos os amigos que lá estiveram voltaram garantindo que foi maravilhoso e que super vale participar. 

A proposta é de um encontro entre o passado e o presente, acontece nos caminhos do circuito Passadas, quando a rua histórica é tomada por automóveis antigos e pessoas vestindo trajes de época. Acontece duas vezes ao ano, mas ainda não tem datas fixas no calendário. 

Tenho uma amiga querida que talvez seja a profissional que melhor tem vendido a cidade, seus empreendimentos e delicias, nos últimos tempos. A Alexandra deveria ser eleita a garota propaganda de Garibaldi, isso é certo. Bom, ela conta tudinho, tim-tim por tim-tim (não resisti, confesso), aqui

Segundo a Secretaria de Turismo, o próximo Garibaldi Vintage está agendado para 17 de novembro de 2017. Acompanhe as noticias e não perca. 


Quais foram os objetivos do FamTour? Deslocaram jornalistas, editores de sites de turismo, representantes de agencias de viagem e outros para mostrarem o que a cidade oferece e que vai muito além do calendário da Fenachamp. 

Garibaldi, como eu já sabia, é uma cidade rica em história e entretenimento, oferece hospedagem de altíssima qualidade, muitas opções espetaculares na área gastronômica, enoturismo e merece ganhar, ao menos, um final-de-semana na roteiro turístico de quem deseja descobrir alguns dos encantos da Serra Gaúcha. 



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O Mochilinha Gaúcha integrou a turma do FamTour Fenachamp 2017, a convite da Secretaria de Turismo de Garibaldi, mas o presente post foi redigido com a isenção e a liberdade características desse espaço. 
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