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Um dia o Rio brilhou como Capital do Brasil, a cidade onde o poder tinha casa e parcela da sociedade circulava em amplos salões, local onde parte de nossa história foi traçada ou calada, onde se ouviu dos estampidos dos fogos ao tiro fatal. Tantas histórias e uma casa, aquela em que as paredes e portas tinham olhos e ouvidos, onde muito se disse e tanto se sussurrou, o lugar de muita vida e um tanto de morte: o Palácio do Catete, atual Museu da República. 





"Meu bloco de notas anda tão mudo, abandonado.
Talvez porque meu coração ande meio apaziguado, anestesiado.
Época de ondas mansas, um tanto serenas, insossas.
Deixei a paixão, num canto do coração. 
Saí para ver o MAR, para amar".


Na minha história de muitas nuvens e tempestades com o Rio de Janeiro, faltava uma paixão, algo que convidasse a voltar, que me fizesse sorrir. Finalmente a dita Cidade Maravilhosa sorriu em muitas cores para mim, me abraçou e, ao se despedir, disse aquele até breve aconchegante. Fui abraçada pelo MAR. 




Tão especial quando a gente se desnuda da roupa de turista, esquece roteiros, atrações imperdíveis e sai para caminhar, sem pressa. Num domingo, no Rio de Janeiro, saí para caminhar, para ver o mar. 


Ler sobre a Urca é ser movido para o antigo Cassino da Urca, para o Pão-de-Açúcar e para os bares. E se não houver vontade de visitar, garimpar atrações? Então, será um dia perfeito para andar sem pressa, caminhar de braços dados, uma paradinha para uma refeição saborosa, para um bom papo acompanhando as ondinhas suaves do mar que fazem música ao se encontrarem com a mureta. Isso tudo acompanhado de uma câmera fotográfica? Uma delicia. 


Estávamos em Copacabana, num inicio de tarde chuvoso, cheias de planos, quando decidimos trocar tudo por um passeio suave. Pegamos um taxi, saltamos junto a mureta da Urca e nos permitimos não fazer nada, deixar o tempo passar enquanto acompanhávamos o movimento das ondas do mar. 




Colocamos o Rio de Janeiro em nosso roteiro para encerrar as estripulias em 2014, queríamos curtir um final de semana delicioso, preferencialmente com um céu azul e um sol aberto e com um pouco da vista da Cidade Maravilhosa ao alcance dos olhos. Sabíamos que os compromissos nos impediriam de deixar a cidade em dezembro, então fomos dar um alô para o Rio no final de novembro. Escolhemos nos hospedar no Rio Othon Palace, em Copacabana. 


Digo que na próxima mudarei de bairro, de ares, mas sou repetitiva, adoto um lugar e gosto de retornar, revisitar, andar por ruas conhecidas. Pronto, Copa entrou para a lista. Claro que isso não nos impede de explorar as cidades, mas na hora de relaxar, o bom é o conhecido, para aquela caminhada gostosa, especialmente a noturna. 



Vou contar uma historinha...

Estávamos no Rio de Janeiro, eu muito cética, tentando entender o que a cidade tem de maravilhosa (já contei em algum canto desse diário que não curtia a cidade, acreditem) e escolhendo o lugar para nosso primeiro almoço, numa manhã de sol aberto. Sábado, o povo animado na ciclovia, tomando as areias escaldantes, poucos corajosos se jogando nas águas geladas de Copacabana. 

Estremeço: anúncio de feijoada no restaurante do Othon, convidativo. Olho para o lado e lá está a Ná, sorridente, com aquela carinha de que isso é o maior desejo da minha vida, sabem? Aff, feijão - como Deus alguém curte comer feijão?!! 

Lançou mil argumentos, de como seria maravilhoso almoçarmos no 30º andar, com uma bela vista da cidade, de como deveria ser delicioso comer os tais grãozinhos pretos e, como última tentativa, que ligaria para saber o que ofereciam no cardápio que pudesse me convencer. Meus argumentos? Que não havia razão para me fechar num cubo perto do céu, num restaurante que se diz internacional, quando tudo o que desejo é o som das ondas, o pé na areia e a brisa marinha bagunçando meu cabelo rebelde. Venci, as calçadas de Copa ganharam nossos passos lentos e serenos, cheios de sossego e falta de pressa. 

Enquanto respirava aliviada, via os dedinhos serelepes no smartphone e, finalmente, uma carinha feliz, aquele sorriso lindo, aberto. "Encontrei", dizia ela, alegrinha. Pertinho, num lugar cheio de cores, serviam a tão desejada feijoada, mas tinham moqueca baiana e bobó de camarão, avisava. 

Fomos curtindo as sombras, passos curtos, muito papo, até chegarmos no Brasileirinho. Simpático, pensei. 


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