Arco da Rua Augusta: um mirante todinho nosso, "ora pois"!




O simbolo de minha paixão por Lisboa (sim, paixão) é o Arco da Rua Augusta. O considero lindíssimo, cheio de simbolismos, a abertura da cidade para o rio Tejo, para o Mundo e o portão de entrada por onde seríamos todos recebidos. 

Quando perambulo pela cidade o Arco é um de meus lugares de passagem, de várias passagens. Fica lindo a qualquer hora do dia ou da noite, a luz do Sol ou da Lua, o branco e amarelo de sua face externa sempre em contraste com o céu tão azul de Lisboa. 



Sempre desejei estar em sua parte superior, olhar um pouco da cidade, perceber de que ângulo aquelas esculturas nos olham, tão pequenos lá embaixo. Mas por informações obtidas em outra oportunidade, abria apenas uma vez ao ano, num feriado em agosto, quando se formavam filas monstruosas para o acesso ao terraço. Difícil para uma turista esporádica. 

Como não podemos determinar o ritmo alheio, embora achasse que aquele lindo monumento devesse ser acessível ao público, me contentava em perambular pelo entorno e em fotografá-lo, insistentemente, a cada passada. Sabe aquela fotógrafa amadora e enjoada? Aquela que fotografa a cada passada, sempre imaginando que terá um ângulo absolutamente novo ou um reflexo, um contraste diferenciado? Eu, claro. 


Em abril tínhamos uma tarde na cidade, antes de partirmos para Paris. Adivinhem onde nossos passos nos levaram? Claro, diretamente ao Terreiro do Paço com a visão deslumbrante do Arco, prateado/dourado a Luz do Sol de uma tarde de inicio de primavera - 06/04/2014.  


Fotografamos, andamos pelo entorno, até que olhei para cima e lembrei da Carmem (De uns tempos pra cá) e da Ana (Psiulândia), que haviam postado fotos belíssimas da vista do terraço. Como havia esquecido disso? Como pude? Olho e percebo movimento.

Onde ficaria a entrada, mesmo? Dois minutos, encontramos a bilheteria numa das bases do Arco, ingressos em mãos (2,50€ cada), uma voltinha de elevador, mais alguns degraus de uma escadinha sinistra, estreita e em espiral e lá estávamos nós. Cabelos ao vento, o calor do sol, o Tejo e aquelas belas esculturas ao alcance das mãos.

O nome do projeto é muito apropriado: Lisboa em 360º! 



Do Tejo ao Bairro Alto, da Baixa ao Castelo de São Jorge. 

Tens idéia do que são os dedinhos das criaturas? Uma perfeição. 





E essa, não é linda?



Mirem as unhas...  



As esculturas superiores, de Célestin Anatole Calmels, representam a Glória, coroando o Gênio e o Valor. 

Abaixo das esculturas de Calmels, estão as de Vitor Bastos e que representam figuras importantes na história do país, Nuno Alvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e Marquês do Pombal. 

A parte que eu desconhecia? O significado das esculturas que ficam nos extremos, mais a direita e a esquerda do monumento. Pois bem, conhecimento adquirido nesse momento: simbolizam o rio Tejo e o rio Douro, que eram os delimitadores da região onde viviam os Lusitanos. 

Gênio + Glória + Valor
+
alegoria ao rio Tejo + Viriato + Vasco da Gama 
+ Brasão  
+ Marquês do Pombal + Nunes Alvares Pereira + alegoria ao Rio Doro

E a beleza das calçadas portuguesas vistas do alto? Parecem lindos tapetes, desenhados e tomados por pequenos seres.  




Se não fosse o respeito pelas demais pessoas que também desejavam acessar o local e fotografar, teríamos permanecido bem mais - não que todos tenham essa preocupação, claro. 




O Arco está restaurado, limpinho!!



A aventura acabou? Nem pensar! Depois da descida foi o momento de ir curtir a vista do Arco a partir da Estátua de Dom José I, aquela bonitinha que fica lá no centro do Terreiro do Paço e está, finalmente, restaurada - em nossa visita anterior ela estava encoberta por tapumes, em obras. E não é que o cara estava olhando as águas do rio? 



Ao escrever esse texto, lembrei de possuir algumas anotações sobre os sentidos ocultos do Arco Triunfal, mas não foi fácil encontrá-las. Acho que cabe divagar um pouquinho, lançar para vocês a discussão: será que procedem? Há algo de oculto na construção do conjunto arquitetônico? Disserto e cada um decide, ok? 

Acredito que todos já ouvimos falar do Livro do Tarot, certo? Pois bem, de lá são retirados vários elementos que estariam de alguma forma dispostos no conjunto: "artérias" que partem do Terreiro do Paço, a Praça dos Arcos que conduz ao Triunfal e que é a porta de entrada para as Sete Colinas, sagradas. Já perceberam que todas as cidades com Sete Colinas possuem Arcos do Triunfo ou da Salvação? Sim, são eles que conduziriam a passagem das Trevas para a Luz. 

As estátuas superiores, representariam Ibéria, coroando Apolo (iluminação) e Minerva (entendimento) - correspondendo a Glória, Gênio e Valor. A Coroa seria a 22ª carta do Tarot. 

Os Arcos do Terreiro representariam os Arcanos? O Tarot é formado por 78 cartas (de ouro e prata), sendo 22 os Arcanos Maiores e as demais 56, os Arcanos Menores. Bom, as construções laterias do Arco possuem 28 arcos cada, o que somaria os 56 Arcanos Menores. No segmento entre as Ruas do Ouro e da Prata, contamos com 11 arcos para cada lado, o que somariam os 22 Arcanos Maiores. Teríamos na soma as manifestações profanas (56 arcos) e a realização oculta (22 arcos). 

Algo nesse conjunto representaria o Caduceu de Hermes, Mercúrio? Ele é representado por uma Coluna, por onde sobem duas Serpentes - uma dourada e a outra prateada. Pensem nas intersecções decorrentes da Rua Augusta, com a Rua do Ouro e da Prata.  A rua Augusta representaria a Coluna (para onde convertem todas as forças, solares e lunares), a rua do Ouro a Serpente Dourada (o Sol) e a rua da Prata a Serpente Prateada (a Lua). Esse conjunto de forças vitais conduziria ao Caduceu Pombalino - as Sete Colinas: São Vicente (Alfama), São Jorge (Mouraria), Santo André (Graça), São Roque (Bairro Alto), Santa Catarina (Camões) e Santana (Carmo). 

Só para encerrar a viagem, todos sabemos que São Jorge é considerado o protetor dos Lusitanos? Será que a estátua de Dom José possuiria outros significados? O conjunto é formado pelo Cavaleiro com seu manto, sobre um Cavalo Branco a esmagar Serpentes, o mal. Seria uma alusão a São Jorge, o protetor? 


Só mais uma? Haveria toda uma alusão a conjunção Oriente/Ocidente? O que significaria o anjo da palma, junto ao da trombeta e ao elefante esmagando o idoso? Seria a supremacia sobre o Profano?



Logo eu, uma criatura tão pragmática, estou (quase) convencida! Pronto, parei com a viagem. Agora, uma coisa é certa, já tenho mais uma visitinha obrigatória em cada passada por Lisboa, preferencialmente alternando as estações do ano, para ver quais efeitos descolo em minhas fotos a partir daquele lindo mirante. 


12 comentários

  1. Adorei as viagens: real e metafórica. De Tarot não entendo nadinha; mas de descobertas, fotos e viagens, sei um pouquinho.
    Fico feliz que nossa passagem pelo Arco naquela fria manhã tenha ajudado vocês.
    Beijo!

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    1. E como ajudou! Obrigada, Carmem!!! BjO!!

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  2. Pronto... agora encasquetei de voltar a Lisboa só para subir no Arco da Rua Augusta, rss. Já botei na lista :)

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    1. Num fim de tarde de primavera/verão deve ser enlouquecedor. Certeza que amarei suas fotos! Voltaremos! BjO!!

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  3. Magnifico relato e confesso que fiquei deveras impressionado com essa alusão mais mistica do arco, vou investigar mais sobre isso. Parabens

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    1. Há muito tempo ouvi isso num programa de televisão e fiz anotações gerais, pois não possuo familiaridade alguma com o Livro Thor - Tarot! Um dia peguei umas fotos de viagem e fui contar arcos, conferir dados e eles fecham, mesmo. Considerando que a maioria dos arquitetos e escultores possuíam alguma ligação com Confrarias (esotéricas ou maçônicas), me parece absolutamente possível tal ligação. Mas como não sou nada mistica e não possuo qualquer conhecimento mais aprimorado, só lanço a brincadeira, a discussão! Volte para nos contar sobre suas incursões investigativas, ok? Abraço!

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  4. \o/ Eu estive lá em cima faz três semanas, numa manhã de sol escaldante e foi lindo. Concordo com tudo e entendo sua paixão. Peninha que não escreveu antes esse texto, porque então teria analisado cada uma dessas informações. Terei que retornar, que desculpa maravilhosa você encontrou para mim, muitooooo obrigada! Kkkkkkkk!!

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    1. Hahahahaaa!!! Boa, né? Tá bom então, depois me conte como foi contar os arcos "in loco"!!! BjO!!

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  5. Paula...nunca fui a Lisboa. Mas depois deste post, como que eu poderei deixar esta cidade de fora da minha lista??? Vc e seus posts cheios de emoção. Adorei!!
    Beijos

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    1. Lisboa me encantou, desde a primeira visita. É uma cidade para ser explorada, sempre guarda uma surpresa em cada beco. Vá e depois me conte! BjO!

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  6. Adoro os detalhes!!!!!
    Acredita que nunca subi??? Vou aproveitar sua dica e essa vai ser a primeira coisa que farei quando estiver em Lisboa ;)
    Bjão

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    1. Eu olhava e sonhava em subir. Fui em busca de informações e descobri que abria apenas um dia ao ano e que lotava, desisti. Um dia Carmem posta uma foto de lá, linda, pirei. Na primeira viagem, lá estava eu - uma delicia!!

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