Cartagena: Playa Blanca de Barú, num feriado!



Quando penso em minhas férias do último verão percebo que, de todas as praias visitadas, a que não posso deixar de fora do Mochi é a Playa Blanca, pelo inusitado. 

Ao programar os passeios que faríamos, a partir de Cartagena, não inclui a Playa Blanca. Não foi o fato de dizerem que era pública ou movimentada que me fez deixá-la fora de nossas pretensões, mas a dificuldade de chegada e saída, já que não haveria trapiches para o desembarque das lanchas. Para quem tem dificuldades isso é um problemão a ser evitado. 


Chegamos já tarde da noite do dia 29/12/2015 em Cartagena e, no dia seguinte cedinho, buscamos a agência para a aquisição dos deslocamentos que pretendíamos fazer. Pensam que havia cogitado a hipótese de metade dos colombianos estarem no litoral para as festas de final de ano, ávidos por passeios? Não, confesso que não havia ligado o Tico e Teco. 

Conclusão: todas as ilhas privadas estavam com a capacidade de receber turistas esgotada, pelo menos até o dia 03/01/2016. Não, não pretendia demorar tanto para mergulhar em águas mornas e cristalinas. Definitivamente, não. 

Playa Blanca, um balneário público, recebe turistas sem contabilizá-los, é só comprar o ticket e uma pequena lancha o atira (ou você se joga) na praia de areias alvas. Dezenas de lanchas chegam ao longo da manhã. Integrante do arquipélago de vinte e sete ilhas que formam as Islas del Rosario, a Isla Barú é a única com acesso terrestre, o que faz aumentar sua procura pelos locais. 



E lá fomos nós, dois dias após o réveillon, desbravar os mares da Colômbia. E quando digo desbravar, considere isso de forma absolutamente ampla. 



Antes que conte como foi o dia, preciso recomendar: não vá se desejas sossego e privacidade; não vá se és exigente e gostas de barracas de praia e espreguiçadeiras confortáveis; não vá se tens problemas em dividir espaços, na água ou nas areias. Ufa, agora que já enumerei as principais razões para não ires, eu digo: vá se quiser se divertir, compartilhar, esquecer as frescuras arraigadas, conviver com o povo e seus hábitos e comer o melhor peixe de toda a viagem! 



As lanchas que levam os turistas para essa praia são as menores, mais leves e rápidas de todas as que passeamos por lá, são barcos a motor. Aperte bem os cintos do colete e segure-se, pois no retorno a chance de voar por sobre as ondas é imensa. 



Quando a lancha se aproximou das areias já foi possível ver a praia mais linda de todas as que conhecemos, a única de areias absolutamente brancas. Nenhum trapiche no horizonte, o negócio é pular na água, feliz. Nas areias uma série de construções cobertas por palhas, com muitas mesas, pessoas, sacolas e sacolões. 





Primeira pergunta: onde ficaríamos? Pergunta daqui e dali e descobrimos que todas as acomodações estavam reservadas, não havia um pedacinho de chão para recostar o corpo. Imagina encontrar uma espreguiçadeira dando pinta, então? Hahahaha! 

Caminhamos um pouco, nos afastamos da área mais muvucada e encontramos um rapaz simpático, que não possuía muito o que oferecer, mas tinha quatro cadeiras e dois pequenos guarda-sóis, além do último galho de uma árvore para colaborar com um tanto de sombra. Foi como encontrar um oásis no deserto, já que o retorno só se daria dali umas cinco horas. 

Sabe quando deixei de me preocupar? Quando mergulhei em dois palmos de um mar absolutamente límpido, de águas mornas e serenas. Eu e metade das famílias colombianas. Ao meu redor falavam alegremente, crianças brincavam e eu só conseguia olhar o mar. 



O nosso rapaz das cadeiras era também o vendedor de cervejas e refrigerantes. Colocou uma grande caixa ao nosso lado e de lá saltavam latinhas geladas, a cada levantada de dedo. Atendimento vip, por um custo negociável.  



Hora do almoço. E onde estaria o restaurante? Naquelas construções simpáticas, pelas quais havíamos passado na chegada. Cadeiras e guarda-sóis garantidos, tralhas nas mãos, lá fomos nós. 

Acham que o dia estava sendo uma aventura? Não, a aventura começaria naquele momento! Meia hora para descobrirmos em qual daquelas janelinhas estava nosso "restaurante", depois mais um pouco de paciência para que conseguissem nos acomodar numa ponta de uma daquelas imensas tábuas que serviam de mesa. Ufa, sentamos e a Ná ficou responsável por buscar nossos pratinhos - atrás daquelas construções de pau a pique haviam fogões de barro, onde eram preparadas as refeições no fogo de chão. 

Ah, agora sabia de onde vinha toda aquela fumaceira. Pratinhos na mesa, algumas gargalhadas, muitas lágrimas (experimente sentar junto ao fogo de chão para ver o que é chorar, com vontade) e a refeição mais deliciosa do mundo. Um peixe dos deuses, acompanhado de patacones, arroz de coco e de alguma folha verde, deixada de lado por segurança. 



A comida mais simples costuma ser a mais deliciosa, não? Lá essa máxima valeu. Todos aproveitamos a refeição que estava incluída no ticket do passeio, antes de comprar mais peixes para saciar a gula. 

No nosso entorno famílias numerosas, muitas crianças e todos sentados em círculos para animadíssimas refeições. De sacolões gigantescos saiam marmitas fartas em peixes e muitas, muitas frutas, além de garrafas com sucos ou refrigerantes. Sabem aquilo que pejorativamente chamamos de farofada? Pareceu algo tão normal, tão de acordo com a cultura daquelas famílias, que deu um tantinho de vontade de sentar nas areias e entrar na roda. O mais surpreendente foi a finalização: pratos descartáveis, garrafas e latas, todos acondicionados em sacos de lixo e acomodados nos sacolões, para serem descartados em casa. Nas areias nenhum vestígio das refeições, nadinha. 



E onde estaria a sujeira de que tanto falam? Pois é, bem atrás das construções que servem de restaurante. 




As lanchas permaneceram ancoradas nas proximidades da área de banho, aguardando a hora do retorno. Momento de descobrir como ingressar na condução que nos levaria para o continente. Fácil, rapazes fortíssimos lhe jogam sobre o assento, como se pesasse gramas e não dezenas de quilos. 


Li muito sobre ambulantes que perturbam a vida dos turistas, mas não achei que fossem tantos como dizem e nem tivemos problemas com eles. Alguns vendedores de quinquilharias e a senhora das frutas - minha sobremesa e lanche na tarde quente. Garanto que são em maior número e muito mais insistentes nas praias gaúchas, onde não há o mar azul para desestressar. 

Ali, com um pouco de boa vontade, até se encontram espacinhos liberados. 



No retorno paisagens encantadoras, muitas gargalhadas na lancha voadora, uma paradinha para deixar os ajudantes numa comunidade simples e bastante precária (o único dia em que foram solicitadas colaborações financeiras) e a chegada em segurança. 






Escolhemos o passeio apenas de praia, abdicando do tour completo, com direito a snorkelling e oceanário, pagos em separado. Dizem que a permanência no oceanário é muito longa, há filas e resta muito pouco tempo para a permanência na praia. Escolhemos curtir apenas as areias, pagamos algo em torno de R$ 60,00 na agência, mas teríamos pago R$ 40,00 se comprássemos com os vendedores de rua ou diretamente no pier. Além dos valores cobrados de acordo com cada passeio escolhido, tem a taxa turística obrigatória. 

Há quem escolha a Playa Blanca para hospedagem e garantem que, na baixa temporada, é uma delicia. São acomodações muito simples, bangalôs de madeira, redes ou camping, com banheiro compartilhado. 

Nós regressamos, para curtir as cores de um final de tarde em Boca Grande e um pouco mais dos encantos noturnos da Ciudad Amurallada. 



16 comentários

  1. Oi, Paula. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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    1. Bóia, sempre uma honra participar do linkódromo, do VnV. Obrigada!

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  2. Sou apaixonado pela Colômbia e gostei do vosso relato. Só não gostei dessa gente toda na praia... rsrsrs Grande abraço e parabéns pelo blog.

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    1. Obrigada, Filipe. Imagina meu susto ao chegar, então?!! hahahaaa!!! Fizemos do limão uma limonada, relaxamos e conseguimos curtir, para nos dias seguintes nos deliciarmos com a calmaria de ilhas paradisíacas. BjO!

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  3. Oi Paula Amei seu comentário!!!Sobre Cartagena irei pra lá dia 3/1/2017.E a forma como vc abordou o assusnto sem frescura nenhuma pra mim! foi o melhor que já li ,e olha que tenho lido muito,pois será a viagem dos sonhos com minha filha Clara de 19 anos ,e não somos fresca,gostamos e queremos conhecer outras Culturas e pessoas e se tiver um bom preço nisso TUDO,COM CERTEZA terá tudo valido a pena,passarei a te acompanhar ate pq,essa será só a nossa primeira viagem juntas ,pq assim que chegarmos ja vou providenciar a próxima de mais ou menos uns 20 dias para Chile Argentina e Peru,se tiver dicas e roteiro,Por favor!Beijos e que DEUS te abençoe!

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    1. Viste o post das 3 Ilhas? Espia, são sensacionais! http://www.mochilinhagaucha.com.br/2016/01/tres-ilhas-em-cartagena-de-indias-colombia.html

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  4. Que delícia, Paulinha!
    Cartagena está nos meus planos há algum tempo.
    Beijos!!!!!

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    1. Cartagena é tão cheia de cores que a gente fica encantado, só olhando no entorno. E com essas praias lindas, então? BjO!

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  5. Muito bom....vamos usar tuas dicas das 3 Ilhas das Rosario...depois te conto o resultado

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  6. Oi Paula! Muito obrigada e parabéns! Vamos para Cartagena na próxima segunda-feira e , de tudo que eu havia lido até agora, seus relatos foram os mais divertidos e úteis. Que grande achado seu blog! Adorei!

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  7. Adoro o seu blog... As informações são ótimas!!!

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  8. Quero mais dicas de Cartagena

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    1. Todas publicações reunidas, nesse link: http://www.mochilinhagaucha.com.br/search/label/COLOMBIA

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