Havana - Cuba: Transporte e Hospedagem.






Todos perguntam como organizei nossa viagem para Cuba, já que por lá tudo é um pouco diferente do que hoje é corriqueiro para nós. Não sou lá muito boa com dicas, mas vou tentar fazê-los acreditar que tudo é bem mais simples do que possa parecer. E é. 

Por onde começar? Pegar a listinha de hotéis, entrar no booking, verificar preços e reservar? Quais redes mantém os melhores hotéis? Hostel, quem sabe? Santo Cristo, em que bairro ficar? 

Tudo em Cuba é um pouquinho diferente, possui suas peculiaridades e, antes de decidir acerca das opções, é preciso determinar qual tipo de viagem se pretende fazer. Apenas uma viagem ou "viajar dentro da viagem"? Qualquer que seja, o melhor é já ir abrindo uma aba do Viaje na Viagem - VnV, antes de seguirmos com o papo. E, já que é para abrir abas, aproveita e abre uma para o Mochilando por Aí, também. Agora vamos... 

Quando sentei para organizar nossa viagem, já havia comprado as passagens aéreas e não havia tempo, só prazos. Teríamos dez dias, divididos entre Havana e Varadero e isso era tudo o que sabia. Em quarenta dias pegaríamos um voo com conexão no Panamá e desceríamos em Havana. 

Do que precisaríamos, basicamente? Escolher o tipo de hospedagem, o bairro e reservar. Transporte do aero para o hotel, de Havana para Varadero, de Varadero para Havana e do hotel para o aero. Qual moeda levar, quanto e onde fazer o câmbio? E o resto? No resto daríamos um jeito, na medida que as necessidades se mostrassem. 


Havia lido uma publicação aqui, outra acolá, até que cheguei num grupo de publicações reunidas no VnV. Facilitador máximo. Abra aqui

Todas as postagens devoradas, hora de decidirmos o tipo de viagem. Nossa decisão foi a de fazer uma viagem diferenciada para nossos padrões, bem mais despojada. Queríamos contribuir com os empreendedores privados, estar próximas aos habaneros, entender como vivem hoje, o que está mudando, onde trabalham e como encaram o regime politico, a estrutura econômica, o momento atual e a reaproximação com os americanos. Como fazer isso em poucos dias? Só estando muito próximas.

Qual é o melhor bairro para se hospedar em Havana? Ciudad Vieja, Miramar - Playa ou Vedado? Escolhemos Vedado, baseado em informações acerca da localização, das facilidades de transporte, programas noturnos e segurança.  É o bairro dos cinemas, da sorveteria, do encontro das turmas nas noites quentes de sábado e onde se chega ao Malecòn (orla) com uma caminhadinha leve. 



Proximidade com os cubanos? Segundo ponto superado: nos hospedaríamos numa pensão familiar. Qual? Sabíamos que a Fabíola do Mochilando tinha uma indicação, mas ela estava desconectada curtindo Noronha e seu blog havia sido hackeado. Garimpando no VnV localizamos uma indicação do Hostal Corazòn del Vedado, num post com dicas da Sabrina, que para nossa surpresa tem site na internet, e-mail e todas as facilidades as quais estamos habituadas. 



Enviei e-mail e poucas horas depois recebo uma resposta gentilíssima, era o Luis. Prestativo, ofereceu todos os esclarecimentos e fez a reserva de uma suíte para nossas primeiras três noites. E o transfer do aero? Se responsabilizaria por tudo. Detalhes acertados, nos mandou uma ficha de reserva que deveríamos preencher e reenviar, além de imprimir uma cópia caso fosse solicitado no momento de passarmos pela imigração. 



Primeira etapa resolvida. Transfer para Varadero? Estávamos propensas a utilizar um táxi, já que a Ná estava com problemas de locomoção. Mas, sabíamos que a empresa de ônibus Via Azul faz o trajeto em ônibus novos e confortáveis. Então, deixamos para acertar quando lá estivéssemos. 

E em Varadero, onde ficaríamos? Essa era para ser a parte confortável da viagem, três pernoites junto ao mar do Caribe e dias com muito sol, de preferência. Trocaríamos a simplicidade do Hostal por uma suite The Level do Meliã, reservada diretamente no site da rede espanhola. 

Faltava decidir a hospedagem das últimas quatro noites em Havana, no retorno de Varadero. Como não havíamos descartado passarmos o período no Hotel Nacional de Cuba (lindíssimo), deixamos para ver como nos adaptaríamos a hospedagem familiar, primeiramente. Nosso desejo era o de contribuir com os habaneros empreendedores e para isso teríamos que abrir mão de um tanto da privacidade proporcionada por um hotel, para ficarmos na casa de pessoas estranhas. A hospedagem no Hotel Nacional, por sua vez, significava estarmos hospedadas numa empresa pública, pois o hotel é um dos que foram tomados pela Revolução e que são administrados pelo governo. Considerando as peculiaridades cubanas, estávamos tendentes a permanecer no Hostal. 

Na véspera da viagem confirmamos com o Luis nossos horários e partimos. Ao chegarmos no Aeroporto Internacional José Marti chovia e nossas bagagens demoraram quase uma hora para apontarem na esteira, encharcadas. Cansadas, saímos do desembarque de olho nos cartazes e logo vimos um rapaz com uma camiseta do Hostel Vedado, segurando uma placa com meu nome. Simpático, foi gentilmente pegando nossas malas e nos mostrando a Casa de Câmbio - a Cadeca. Em Cuba de nada adianta uma carteira recheada de dólares ou euros, é necessário ter o CUC. Rapidamente fiz a troca da moeda e já nos dirigimos para o Lada Laika do Luis, velhinho e fumegante, mas que nos levou até Vedado por 25CUC. Pelo caminho informações gerais sobre cuidados necessários (quase nenhum), sobre segurança (só elogios) e sobre um pouco do momento atual, mudanças, empreendedorismo e, para encerrar, um pequeno tour pelo bairro para que nos mostrasse os melhores e piores restaurantes do entorno - indicações que se mostraram deliciosas. 



Chegamos ao destino e, só então, entendemos o trabalho desenvolvido por Luis. O Hostal Vedado é a sua casa, onde recebe turistas. Fora isso possui uma rede de outros empreendedores que lhe pagam comissão pelas indicações. Demorei um pouco para entender, mas pela minha assinatura automática no e-mail percebeu que era advogada e, envaidecido por receber uma pessoa "diferenciada", resolveu reservar para nós uma suite no melhor apartamento dos quais administra, num edifício na esquina da Av. Presidente com a Av. 23, efetivamente no coração do bairro. Chegamos na casa de Margot, uma mulher sorridente e que disponibiliza duas suítes para turistas. 25CUC a diária, mais 3CUC por pessoa no café-da-manhã e você se torna o feliz possuidor de um molho de chaves, mas somente depois de receber toda a sorte de informações ilustradas - sim, percebemos logo que amam demonstrar tudo, desde como se coloca a chave na fechadura, até para que lado devemos girar (logo na chegada fizemos um segundo tour, por todas as fechaduras as quais pertenciam as chaves que nos alcançaram). 



Embora jamais tivéssemos ficado numa pensão familiar, nos sentimos em casa, desde a chegada. No dia seguinte já tínhamos decidido que em nosso retorno de Varadero, seria ali que ficaríamos até o dia de nossa partida. Gostamos do casal, da receptividade e da localização - possuem uma pequena varanda que permite curtir o vai-e-vem das ruas, a qualquer hora. 




Em Cuba nem tudo pode ser conduzido na informalidade. Luis não é taxista, nos conduziu a partir do aeroporto, mas não poderia nos levar para Varadero, intermediou um táxi. Assim, Aldo Sanchèz entrou em nossas vidas. No dia e hora marcados, o Engenheiro Mecânico tocou a campainha. Lá fomos com Aldo, em sua Mercedes Benz até Varadero. 80CUC cada perna, num carro com trinta e cinco anos de uso e que trabalha como táxi privado. Teríamos pago 100CUC por um táxi público (os amarelinhos do governo, pelos quais os motoristas pagam um valor diário à titulo de arrendamento). Se  tivéssemos negociado diretamente o transfer teria saído mais em conta, já que ele não teria pago a comissão da intermediação. Nada barato, mas conversamos muito com Aldo, além de termos contado com um guia turístico espetacular. 

Aldo também é arrendador privado, possui autorização para hospedar estrangeiros em sua casa. Nos falou que possui uma casa bastante confortável no bairro Playa. Acho que ele jamais esquecerá da Naiá, que não o deixou respirar um único minuto. Curtimos muito o Aldo e indicamos seus serviços, então aqui ficam os contatos: aldogarcia@nauta.cu ou celular (05)3824686. 



Todos os arrendadores privados possuem esse simbolo nas fachadas e, hoje, são muitos. 



No retorno, mais quatro diárias em casa de Margot, antes de entrarmos num carro intermediado por ela, que por 20CUC nos levou, numa madrugada escura, até o aeroporto. 



Poucas semanas antes de irmos, o Riq Freire compartilhou nas redes que o AirBnB tinha passado a oferecer hospedagem em Cuba. Embora as reservas não possam ser feitas a partir do Brasil, a noticia é boa e será um facilitador. Há muitos senhorios cadastrados, aqui

Quanto aos hotéis do governo, o Hotel Nacional e o Habana Libre, os visitamos apenas. São belíssimos e possuem áreas de uso comum, para serem usufruídas por todos. Então, aproveitamos sem termos nos hospedado por lá. 

Foi uma experiência diferenciada, tivemos que adaptar um pouco os limites de privacidade e tolerância, mas tudo transcorreu de forma espetacular. Termos encontrado o Luis facilitou os trâmites, especialmente com o táxi na chegada - não vimos carros disponíveis para quem chegava desavisado. A partir dele formamos uma rede de relações, que colaboraram para que nossa estada fosse maravilhosa. Contatos do Luis Garay: hostal.vedado@gmail.com ou celular (05)3616256. 



3 comentários

  1. oi Paula,

    vc levou euro ou dolar americano??

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    1. Oi, Mel. Levamos euros, mas recomendo que faças os cálculos considerando o câmbio de agora. Há um ano, quando fomos, o dólar era taxado com um deságio de 10%, não sei informar como está agora. Levamos euros e foi bastante tranquilo, fomos trocando na medida da necessidade. Falei um pouquinho das moedas nesse post: http://www.mochilinhagaucha.com.br/2015/09/cuc-peso-convertible-cambio-cuba.html

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  2. ta ok obrigada... eu li que era melhor euros, mas estou na duvida! bjs

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