San Gimignano: a encantadora cidade das Torres.



Começamos nossa estada na Itália por Veneza, depois passamos alguns dias em Florença e, ao partirmos em busca de encantamento pelas estradas da Toscana, fomos direto para a cidade que estava em primeiro lugar em minha listinha de cidades muradas: San Gimignano


Não sei precisar quando surgiu o encantamento pela pequena cidadela, mas aguçava meus desejos há anos e anos. Depois de dias maravilhosos em Florença, alguns problemas com a locadora de veículos nos retirou umas duas, talvez três horas do tempo que tínhamos reservado para conhecermos a primeira cidade de pedras do roteiro. A irritação com a situação referente a locação não retirou a beleza e o encantamento daquele encontro, numa agradável e ensolarada tarde de primavera. 


Como fizemos ao chegarmos em todas as cidades muradas, deixamos o veiculo num estacionamento externo e fomos caminhando conhecer as belezas e procurar o local onde ficaríamos hospedadas. 


O desenho da pequena cidade é simples, havendo apenas algumas entradas e alguns lindos recantos, sem nenhum mistério para caminhantes despretensiosos como nós. E para localizar o Hotel? Facinho, havíamos reservado no Leon Bianco, bem na praça central. Embora pudéssemos acessar o local com o veiculo para retirarmos as malas, optamos por deixá-las em seu interior - tomamos o cuidado para já levarmos os pertences dos quais necessitaríamos (incluímos todos os eletrônicos e documentos, claro) nas mochilas, deixando as malas discretamente guardadas no porta-malas.  



Caminhamos muito por aquelas ruas, entrando nas vielas, encontrando cantinhos simpáticos, observando os hábitos dos moradores, curtindo as poucas lojas e, especialmente, apreciando os belos trabalhos em cerâmica vendidos no local. 



Preciso dizer que se não fosse pelo oceano que nos separava de casa, essa mesinha singela e seus banquinhos teriam encontrado abrigo em nossa casa de campo? 



São tantas as simpáticas vielas...



O conjunto arquitetônico medieval está bastante preservado. Teria eu dado descanso para a máquina fotográfica? 





É a cidade das Torres. Originalmente possuía 72, construídas por famílias rivais e abastadas, visando proteção. Ao longo dos séculos muitas acabaram destruídas nas guerras e hoje restam 14, que encantam os visitantes, claro. 



Quando o cansaço bateu, fomos para o hotel, tomamos um banho, colocamos agasalhos - já começava a esfriar, e voltamos para mais algumas andanças e para localizarmos um local para jantar. Saímos sem qualquer indicação, mas também percebemos que não teríamos opções. As pessoas estavam desaparecendo das ruas rapidamente. 


Encontramos um pequeno restaurante na entrada principal aberto e tratamos de aproveitar, porque a plaquinha dizia que fecharia em pouco tempo. Numa noite bastante fria, minha escolha só poderia ser sopa, minha cara - e estava ruim, muito ruim. Já a companheira atacou um prato de pasta, claro. O jantar não foi lá uma maravilha, mas o local tinha uns suspiros lindos, lindos no balcão de doces - comedida pedi só três, mas depois de um ser rapidamente surrupiado, todos aqueles que repousavam no balcão já estavam no meu pratinho! 



Ao sair percebemos que quase todos haviam desaparecido, fomos rapidamente até a Praça Central, afinal a Ná desejava muito provar o melhor sorvete do Mundo. Sabiam que assim são conhecidos os sorvetes vendidos na pequena e simpática praça de San Gimignano? Ufa, ainda estavam abertos, apesar do frio. 





Para nós, embora as ruas estivessem vazias, a noite apenas começava. Há algo mais delicioso do que andar por ruas escuras numa cidade murada? Até há, claro, mas que é delicioso perambular clicando tão diferentes paisagens noturnas, lá isso é!! 



Achei que jamais encontraria um lugar para concorrer com o Gótico (Barcelona) no meu coração, pois encontrei. Mas é páreo duro, ficaram empatados em minha preferência. Quando andei pelo Gótico nas noites desertas (como contei aqui), tive a impressão de estar num filme de terror, com suas vielas estreitas, escuras e a lua como testemunha. Já pelas ruas de San Gimignano, a impressão era a de estar num daqueles filmes românticos e melosos, o que acabou dando um outro contorno as belezas do lugar - mas a lua, companheira, ainda nos acompanhava (sim, aquela bolinha redonda na segunda foto ↓).




Pela manhã, um gostoso café e rua, para mais e mais andanças nas últimas horas que tínhamos para curtir a pequena. Bah, já estava lotada, com turmas de escolares gritando pelas ruas, filas e filas nas sorveterias, além de muitos turistas fotogrando cada um de seus cantinhos. Agradeci por ter aproveitado o silêncio da noite anterior. 

O comércio que vai do vinho ao couro, tudo com um certo charme. 




Aproveitamos para comprar postais, algumas pequenas quinquilharias, alguns objetos em couro belíssimos e fomos caminhando, parando, fotografando, entrando aqui e acolá, caminhando mais um pouco. 

A Igreja em estilo românico não fica na praça central, mas num largo próximo. O melhor da visita são os afrescos de Gozzoli. Nas proximidades encontramos o Palácio Podesta, a sede do governo local. Tudo diminuto, mas cheio de histórias. 



As horas passaram rápidas. Para encerrar? Mais um pouco do melhor sorvete do Mundo, uma passada no hotel para pegarmos as mochilas e uma caminhada agradável até o estacionamento. 



Me despedi da pequena com um gostinho de quero muito mais, quase me amaldiçoando por ter reservado apenas um pernoite, mas na certeza de que precisávamos aproveitar muito os dias e locais que teríamos pela frente. 

Dei uma olhada para trás, um adeusinho e fomos, satisfeitas. 


Informações? Vamos lá. É muito fácil ir a partir de Florença, inclusive no sistema de bate-e-volta utilizando transporte público. Nós, entretanto, optamos pelo carro alugado a partir de Florença, pois estávamos indo para Roma. As estradas estão bem sinalizadas e utilizamos o GPS do smartphone para não cometermos erros. Foi nosso pernoite entre Florença e Siena, o que possibilitou que aproveitássemos a cidade, bem como fizessemos outras paradas pelo caminho, já que não estávamos com o roteiro tão apertado, como quem vai apenas passar algumas horas. A distância de Florença até San Gigminano é de apenas 52Km, sendo que para inclui-la no trajeto entre Florença e Siena - que é de 71Km, acresce em torno de 50Km ao resultado final. Em resumo, os locais são muito perto uns dos outros e as paisagens dos caminhos encantam. 


8 comentários

  1. Nossa, que linda a cidade. E pensar que eu estava tão pertinho e não fui :(
    Fica para a próxima. Mais uma vez: lindo texto. Parabéns!

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    1. São tantas cidadezinhas, né? Também deixamos muitas pelos caminhos, teríamos que retornar e ficar rodando mais uns 15/20 dias por lá! Obrigada!! BjO!

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  2. Oi, Paula. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Boia – Natalie

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    1. Que surpresa maravilhosa para iniciar a semana, Natalie. Sempre um prazer. Muito obrigada, pessoal. BjO!!

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  3. Morro de amores por SG! É muito encantadora!

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    1. Queria muito conhecer e morri de paixão. Obrigada pela visita!! BjO!

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  4. Saudades de SG.
    Conhecemos a cidade no frio. Ficamos também no Leon Bianco. Havia neve em volta do poço da praça e a sorveteira estava fechada!

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    1. Curti muito andar pelas ruas de noite, fotografando. Uma delicia a cidade, mas de dia uma gritaria só, turistas, estudantes, crianças correndo... A Ná amou os sorvetes!

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