PITADAS DO RIO GRANDE: transporte público em Porto Alegre


Uma das primeiras indagações de quem se dirige a um novo destino se refere ao transporte coletivo de passageiros. Todos desejamos passear, conhecer a cidade e nos locomover com conforto e baixo custo, não é mesmo? Só que as maneiras de fazermos isso variam bastante de lugar para lugar, de cidade para cidade e de país para país. Bom, meu primeiro post a respeito será sobre a cidade onde moro: Porto Alegre.
 
 

Há duas décadas a cidade passou por uma revolução no que se refere ao transporte público, com a renovação compulsória da frota, além da obrigatoriedade de instalação de equipamentos de acessibilidade. Então, de uma forma geral, contamos com meios de locomoção adequados, higienizados e climatizados.




A primeira surpresa para quem chega a Capital do Rio Grande do Sul é o fato de não contarmos com Metrô – sim, Porto Alegre ainda não possui Metrô. Contamos apenas com o Trensurb (trem de superfície) que liga a cidade a região metropolitana. Há projeto em discussão a respeito da instalação, que previa a disponibilização do serviço já na Copa de 2014, mas como ainda não saiu do papel, certamente demorará mais tempo. Contamos também com um projeto antigo de Aeromóvel (há apenas um protótipo instalado próximo ao centro da cidade desde a década de 70), que está em discussão acerca da viabilidade de instalação, pois é considerado um projeto ecologicamente sustentável.


A frota de ônibus se encontra renovada. Quase a integralidade da frota conta com ar condicionado e é bem higienizada. A climatização somente não é tão utilizada ao longo do inverno, especialmente como prevenção a transmissão de doenças, como a H1N1 (gripe A). No restante do ano, especialmente ao longo de nosso intenso verão, a climatização é sempre utilizada, dando conforto a quem faz uso desse meio de transporte. Contam ainda com sistema de bilhetagem eletrônica para os residentes que possuem o cartão TRI (que possibilita inclusive o acesso ao segundo ônibus sem pagamento da segunda passagem, caso respeitado um lapso de tempo determinado) – mas para aqueles que não possuem o referido cartão e para os visitantes, o pagamento da passagem é feito diretamente ao cobrador no interior do veículo.
 

As linhas atendem toda a cidade, sendo que praticamente em sua integralidade possui seu ponto inicial/final junto ao Centro da cidade, o que facilita bastante para o turista, que pode partir e retornar para o mesmo ponto, de onde pode traçar seu roteiro. Fora as linhas que se dirigem aos bairros, há algumas que são circulares e transversais, interligando regiões e retornando ao ponto inicial – essas são ótimas para o visitante circular, conhecer a cidade.
 

A cidade conta com corredores de ônibus nas principais avenidas, que facilitam a circulação dos coletivos, dão celeridade ao transporte público e maior conforto aos usuários. Na quase totalidade dos corredores de ônibus as paradas contam com cobertura, protegendo os passageiros das intempéries. Em alguns lugares, especialmente no centro, as paradas estão ao nível da porta, facilitando o acesso dos passageiros.

 
A frota de coletivos conta com alguns veículos especiais, rebaixados. Alguns ainda possuem um movimento de pêndulo, rebaixando o lado onde estão as portas para facilitar o acesso, retomando a posição normal para a partida. Muitos veículos já se encontram com equipamentos de acessibilidade instalados, possibilitando aos cadeirantes usufruir com dignidade do transporte público – por óbvio, ainda são insuficientes.
 
O grande diferencial de Porto Alegre não está na sua frota de ônibus, mas na existência de um transporte seletivo, que desde 1977 serve aos habitantes. Estou falando das Lotações (vans de transporte coletivo). Concessões de serviço público, as Lotações de Porto Alegre são regulares, possuem trajetos determinados pelo Poder Público e são muito, muito confortáveis – o seu interior é muito similar aos dos ônibus, conta com corredor para facilitar o acesso aos assentos. Os miniônibus transportam em média 21 passageiros, com poltronas acolchoadas e sistema de climatização, mas infelizmente não atendem mais a totalidade dos bairros da cidade em vista da expansão e criação de bairros. Não é permitido passageiros excedentes a lotação determinada, em pé. Muitas linhas já contam com veículos com equipamentos de acessibilidade disponíveis (elevador e espaço para a cadeira de rodas, com cinto de segurança) – já tive oportunidade de acompanhar o atendimento a um cadeirante e o motorista parecia estar capacitado e foi muito gentil. As Lotações não possuem paradas pré-determinadas, funcionam no mesmo sistema de táxis, não contam com cobradores e o pagamento é feito diretamente ao motorista. Até o final do ano será instalado sistema de bilhetagem eletrônica para os residentes que possuem o cartão TRI (sistema de recarga eletrônica de créditos). Esse sistema de transporte desafoga o uso dos coletivos e proporciona um transporte público diferenciado, especialmente para aqueles que desejam deixar os veículos em casa ou apenas usufruir de um transporte diferenciado e com valores mais baixos do que os dos táxis.
 
 
Corredor interno, com apoios superiores e junto as poltronas, assentos preferenciais (com capa amarela).

Poltronas, duas a duas de um lado e individuais no lado contrário.

Espaço destinado ao cadeirante, com cinto.

Elevador até 250k para cadeirantes.
 
Alguns veiculos contam com TV.  

Claro que a cidade possui uma vasta frota de táxis, identificados pela cor laranja, todos com sistema de taxímetro, ou seja, cobrança por quilometro rodado. Observamos pelas ruas veículos novos, em boas condições, a maioria com ar condicionado. Para quem chega via aeroporto há os táxis brancos. Mas, em qualquer das hipóteses, sempre cabe verificar a tabela de bandeiras que se encontra afixada nos vidros do veiculo, para exigir que o taxímetro rode de acordo com a tabela prevista para o horário e dia da semana (bandeira). Há alguns veiculos adaptados para portadores de necessidades especiais rodando pela cidade, mas para aquele que precisa fazer uso e deseja agendar atendimento, o mais apropriado é reservar a Perua Rádio-Táxi (vide site EPTC).
O sistema de preços do transporte público é interessante. Porto Alegre trabalha num sistema de solidariedade social. Os ônibus possuem tarifa única, independente da quilometragem percorrida e que é reajustada anualmente. Hoje a tarifa é de R$ 2,85 (dois reais e oitenta e cinco centavos) o percurso. Idosos estão isentos do pagamento. Já nas lotações, que também contam com tarifa única, o valor é de R$ 4,25 (quatro reais e vinte e cinco centavos). A Linha Turismo, que parte do Largo Zumbi dos Palmares no bairro Cidade Baixa (próximo ao Centro Histórico), em horários determinados e em dois trajetos, possui custo de R$ 15,00 o bilhete.

Para informações acerca dos trajetos das linhas de Ônibus e Lotações acesse o POATransporte no site da EPTC - Empresa Pública de Transporte e Circulação.
 
Conhecendo a cidade, considero que esteja bem servida de transporte coletivo, especialmente para quem deseja conhecer os pontos turísticos e de maior atração. Para aqueles que desejam fazer um city tour há a Linha Turismo (ônibus com segundo andar aberto) – que em dois roteiros percorre os principais atrativos da Capital dos gaúchos.
 

 

8 comentários

  1. Oi, Paula! Obrigada pela visita lá no blog!
    Adoro seu estado e Gramado então nem se fala! ;)

    Bjs,
    Karla
    Cariocando por aí

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    1. Que bom tê-la por aqui! Obrigada pela visita!! Abraços...
      Paula

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  2. Parabéns Paula sou morador do centro histórico da nossa capital. Vou se me permitires acompanhar teu blog. Sabes que ainda falta muita coisa por aqui. Estamos ainda atrasados no que diz respeito ao transporte coletivo.Apesar de hoje comparado ao passado evoluímos muito.

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  3. Antonio, seja bem vindo!! Precisamos evoluir sempre, mas acho que estamos bem servidos, apesar d não sermos modelo. Mas sabe, tive oportunidade d usar em outros Estados e os ônibus eram sujos, muitos depredados e ar condicionado seria um sonho?? Acho os corredores feios, mas percebo o qto são importantes qdo vejo em outros lugares filas de onibus disputando espaço com carros e pedestres. Agora, sou uma entusiasta das Lotações e tenho utilizado o serviço c frequência, deixando o carro em casa e mantendo o conforto. Mas precisamos evoluir, sim!!! Abraços, será sempre maravilhoso tê-lo p aqui! Abraços!

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  4. Oi Paula! Adorei o post. Adoro o RS. Quando morava em SC ia todo ano a Serra Gaúcha, Adoro Gramado, Canela, São Francisco de Paula ... Ô delícia! Abraços.

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    1. Que beleza... obrigada pela visita! Abraços,
      Paula

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  5. Olá Paula! Sou porto-alegrense e sempre morei aqui desde que nasci, em diferentes bairros.
    Gosto de andar de ônibus e de lotação. Em breve, vou fazer meu exame de direção para ter minha sonhada CNH e o meu automóvel, mas ainda assim, em alguns momentos, vou querer deixar o carro em casa e usar o transporte público.
    Sobre a frota de lotações de Porto Alegre, ela é limitada em 403 veículos. Essa quantidade realmente é insuficiente se levarmos em conta o crescimento populacional da cidade.
    Defendo a criação de novas linhas transversais de lotação, tipo: Segunda Perimetral, Terceira Perimetral via PUC; além de linhas que atendam localidades não servidas pelos lotações: Costa e Silva (Z.Norte), Vila Safira (Z.Leste), Campo Novo e Assunção. E, claro, também aguardo a operação das linhas Restinga e Belém Novo, reivindicadas há muito tempo pelos moradores, e que teve licitação realizada este ano.
    Outra coisa: se for implantada bilhetagem eletrônica (TRI) nos lotações, vai deixar melhor ainda o serviço! Porque só poder pagar com dinheiro às vezes é meio complicado, a gente precisa dele pra outras coisas... além de ser um pouco mais seguro para o motorista do lotação. Vamos aguardar então...
    Guilherme M. - 31 anos - funcionário público.

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    1. Obrigada pelo comentário. Pelo que tenho acompanhado, em breve teremos novos trajetos das Lotações, para melhor servir a população. Sou uma entusiasta do serviço, pq percebo como faz falta em outras Capitais um serviço nos mesmos moldes do nosso. Mas prestação se serviço público tem que acompanhar as necessidades da evolução social e populacional, sem dúvidas. Estamos no caminho, quero acreditar!!! Abraços,
      Paula

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