São Pelegrino: Aldo Locatelli, em cores.



imagem de divulgação - http://www.saopelegrino.com.br/

Há 140 anos chegavam os primeiros italianos por aqui, nessas bandas tão ao Sul, com mares selvagens e com terras tão mais perto do céu. Nesse Estado de planícies extensas e pequenas coxilhas havia uma região inexplorada, intacta, um tanto selvagem e habitada por índios. Para lá, para a Serra Gaúcha, foram levados os italianos. 



Desbravadores, os "gringos" foram abrindo picadas e construindo povoados, transformando pedras em vinhedos e, num trabalho manual e continuo, moldando a nova vida com os tons e cores da Itália, já tão distante. Saudade, um pouco da Toscana e um tanto do Vêneto, os temperos da Serra. 

Na Colônia do Campo dos Bugres, atual Caxias do Sul, se estabeleceu Raffaele Buratto, em 1879. Tanoeiro e muito religioso, construiu em 1891 um Capitel em suas terras, após receber do sogro uma imagem de São Pelegrino - padroeiro de Cornuda, Treviso - Itália. O Capitel restou substituído por uma pequena Capela de madeira, onde em 1893 foi celebrada a primeira missa. 

Os anos passaram, a pequena Capela sofreu ampliações e São Pelegrino foi se tornando o Santo de devoção daquela comunidade, que só fazia crescer e evoluir. Em 1953 é inaugurada no local a Igreja de São Pelegrino, projeto de Vitorino Zani. 



Num Estado com raízes tão católicas, com tantas e tão belas igrejas espalhadas, quais razões me levam a dedicar um post para a São Pelegrino? Basta entrar, olhar para o alto e se deixar levar pelas formas, pelas cores e belezas da obra de Aldo Locatelli. 


 

 Vindo da Lombardia, Aldo chega ao Rio Grande do Sul aos 33 anos de idade, já um pintor reconhecido. Após cumprir o contrato que o havia trazido ao país, as obras na Catedral de São Francisco de Paula de Pelotas, passou a ser requisitado por diversas cidades e suas obras se espalharam. As pinturas mais famosas são os painéis do Salão Negrinho do Pastoreio, no interior do Palácio Piratini (sede do Governo do Estado) e as de 1950, na Igreja de São Pelegrino.

A primeira pintura de Locatelli na São Pelegrino foi a Santa Ceia, um grande painel de noventa metros quadrados, cercado por murais inspirados na aparição do Sagrado Coração de Jesus para a Santa Maria Alecoque e na aparição de Nossa Senhora do Caravaggio à vidente Joaneta.





Muitos outros painéis recobrem o espaço e lhes dão tanta beleza. Ilustram a "Criação do Cosmos", "Criação da Mulher", "Expulsão do Paraíso" e o "Juizo Final".



E os detalhes? 










Me perdi nos painéis coloridos, mas não são os únicos trabalhos dele na São Pelegrino. As telas da Via Sacra são obras suas, que estão acompanhadas de pinturas de grandes anjos, essas de seu auxiliar Emilio Sessa.



Por mais apaixonante que sejam as pinturas de Locatelli, não posso deixar de falar das grandes e pesadas portas de bronze, que retratam um pouco da imigração italiana, pelas nãos de Augusto Murer. Foram 14 anos de muito trabalho até que fossem inauguradas. Vieram da Itália em moldes de gesso, sendo a fundição em bronze procedida na cidade. Pesam apenas 7 toneladas! Como movimentá-las? Por motores elétricos. São três portas. A Porta do Amor representa a vida e traz o anjo Gabriel.



Na Porta da Paz temos dezesseis cenas, desde a travessia do mar, até a vindima. Representam o trabalho, a ocupação da terra e sua transformação, os frutos e a paz, na figura da pomba.



Dividida em dois grupos de imagens, a Porta da Justiça traz o mapa das dezesseis léguas, região que formou Caxias do Sul, no alto. Abaixo, a mãe que reparte o pão com seus filhos, simbolizando a fartura proveniente do trabalho dos imigrantes.



Não é uma Igreja imensa, possui uma simplicidade exterior, quebrada apenas pelas lindas portas de bronze. A riqueza está nas cores e detalhes de seu interior, onde quando se entra se percebe todos olhando para o alto, apreciando um trabalho tão minucioso e inspirado.






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