CUC: a moeda do turista, em Cuba.



Cuba tem lá suas peculiaridades e uma delas são suas moedas. Sim, por lá os residentes contam com o CUP - o peso, enquanto os turistas usam o CUC - o peso convertible. E as tarjetas de crédito? Não conte com elas. 


Há um fundamento social no uso de moedas diferentes pelos residentes, a proteção de seu poder de compra. Ao ter um mercado de consumo voltado apenas para os residentes, em tese, os colocariam a salvo de processos inflacionários e da alta de preços por conta do crescimento do turismo no país. Por outro lado, há quem sustente que o fundamento seria o controle estatal sobre os residentes, lhes tolendo a liberdade de acesso aos bens de consumo. Com uma população formada principalmente por funcionários públicos e com carnês de racionamento cada vez mais insuficientes frente as necessidades básicas, acredito que o CUP proteja, sim, o poder de compra do cubano. 

Como fazer? Qual moeda levar? Onde e como adquirir o CUC? 





O Peso Convertible não está disponível nas casas de câmbio no Brasil, devendo ser adquiridos quando da chegada em Cuba. Há casa de câmbio, a cadeca, no aeroporto. Além dessa, são encontradas pelos bairros. Qual escolher? Fazer parte do câmbio no aero e deixar para fazer o restante na rua, para obter melhor valor? Não, não em Cuba. País socialista, controlado pelos revolucionários, lembram? Por lá não há variações, livre concorrência, as taxas são determinadas diariamente pelo governo, que controla todas as cadecas do país. 



Nós trocamos uma soma considerável no aeroporto, para irmos pagando transporte, hospedagem e alimentação, já que por lá não se usam cartões de crédito. Após os primeiros dias, quando já estávamos habituadas aos preços praticados e pudemos fazer uma projeção do quanto ainda gastaríamos, fomos na cadeca do Vedado para uma última transação. 


O CUC é utilizado em todas as transações feitas pelos turistas, embora alguns lugares apenas trabalhem com o CUP e aceitem a moeda, numa espécie de mercado negro. Tivemos essa experiência no El Burrito, um bar no Vedado - o cardápio estava em CUP, a conta foi fechada em pesos e cobrada em pesos convertibles. Para o turista são vantajosos esses paladares com cardápio em CUP, pois a conversão é de 23,80 CUC por 1 CUP, mas é necessário verificar se a casa aceita, efetivamente, os pesos convertibles. 



Somente os turistas tem acesso aos CUCs, pois para sua aquisição é necessária a apresentação do passaporte. A moeda é disputada pelos cubanos, pois ela dá acesso a bens de consumo em estabelecimentos privados, onde se pode adquirir produtos importados e de melhor qualidade. 


Ficamos atentas as possibilidades de conversão, considerado o dólar americano e o euro. Lemos alguns artigos e dicas de viajantes e optamos por levar euros. Em abril ainda vigia, não sabemos hoje com a reaproximação entre os país, um deságio aplicado sobre o câmbio do dólar americano, na casa dos 10%. Para cada dólar americano, apenas noventa centavos de pesos convertibles. Já a cotação da moeda européia estava em 1,15 pesos convertibles por euro. Mesmo com as cotações das moedas frente ao real na época, antes da disparada do dólar, o câmbio em euros era o mais vantajoso. 


Em havana encontramos apenas uma loja de lembrancinhas que anunciava a possibilidade de fazer compras com cartões de crédito, próximo ao Habana Libre, mas haviam pouquíssimos bens disponíveis. 


Fizemos apenas duas transações com cartões de crédito: o pagamento de nossa hospedagem no Meliã Varadero e a compra de charutos no aeroporto de Havana. 

A sensação de contar apenas com a moeda, sem a possibilidade de fazer uso dos terminais eletrônicos para saques e cartão de crédito/débito foi de certo desamparo, fazendo com que optássemos por fazer uma reserva em euros e outra em pesos convertibles, pois as cadecas de bairro funcionam em horário reduzido e o aeroporto é distante. 


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