Walachay: um pequeno café colonial, em Morro Reuter.




Estão dizendo por aí que o inverno chegou, embora hoje esteja quente e úmido. Mas cá entre nós, gostando ou não da estação, basta o outono soprar os primeiros ventinhos frescos para que a gauchada resolva curtir um pouco do que a Serra Gaúcha oferece. E, ainda antes que o inverno chegasse, fomos ao pé da serra para curtir um pouco do clima europeu e das delicias culinárias da colônia. 


Walachay - um pequeno e simpático café colonial, em Morro Reuter. 



Do Vale dos Sinos, primeiras terras tomadas por imigrantes alemães, passando pela Serra Gaúcha e indo até os Campos de Cima da Serra, há muitas histórias, de muitos povos, de muitas cores. Foram por esses caminhos e nessa ordem que as correntes migratórias se distribuíram. Primeiramente os alemães, que ficaram mais próximos da Capital e em terras aráveis, mais férteis e de fácil manuseio, passando pelos poloneses, ucranianos e italianos, aos quais foram ofertadas terras sinuosas e pedregosas. Os japoneses, por sua vez, ficaram reunidos ali, entre alemães e italianos, ao pé da serra. Enquanto alemães se voltavam para a industrialização, os italianos transformaram pedras em vinhedos. Índios e portugueses, que cá já se encontravam, foram cedendo espaço, enquanto outros índios foram importados e alojados próximos aos colonos. Muitas peleias depois, hoje todos convivem em harmonia. 

E é ali, em meio a esse tanto de história, que está o povoado de Walachai, em Morro Reuter. 

Lá pelos tempos da Revolução Farroupilha, um imigrante proveniente de Luxemburgo se estabeleceu por aquelas bandas e fundou o pequeno povoado. Era Matthias Mombach, guarda pessoal de Napoleão, que lutou em Waterloo e que foi condecorado com a Cruz de Ferro. Passou a ser chamado General ao defender a cidade de Dois Irmãos dos bugres (índios) e dos Farroupilhas (em resumo, um Pica-Pau, aff)! Bom, décadas depois, lá está o pequeno povoado, como uma das comunidades do perímetro de Morro Reuter. 





O nome do café, para quem desconhece a história, intriga, mas as delicias servidas são bastante conhecidas na região. 


Uma casa numa estrada de terra, um deck com vista, algumas cadeiras e redes e muitos aromas que fogem da cozinha e invadem os ambientes. 


O pequeno mirante.


Um salão, uma lareira, algumas mesas com toalhas coloridas e o melhor da cozinha italiana. 





Vinho, branco e tinto? Suco de uva? Chás (o de boldo é sempre muito útil), café e chocolate quente? Sim, assim mesmo, tudo junto e misturado. Os bules de agata e o rechaud de pedra garantem que as bebidas quentes permaneçam, efetivamente, quentes ao longo da refeição. 




Copa, murcilha (mursella, morcela), salamito, queijos e picles (pepinos, ovos de codorna e cebolinhas)? Só o inicio, normalmente o que primeiro chega a mesa. 

Uma cesta de pães, cucas (aquele bolo fofinho alemão, coberto de farofa e frutas) e bolos sempre acompanhada de um sortimento de schmier (ou, simplesmente, chimia). Não sabe o que é? Potinhos e mais potinhos de geléia natural de frutas - a de uva é imbatível! Não gosta de chimia? Nata, manteiga e mel. 


Ops, não posso esquecer o strudel de maça gigante. 

Se o café é colonial tem que ter galeto, lombinho de porco, linguiça (no Walachay a fervida é de praxe), almondegas, além de um sortimento de pequenos pastéis de queijo e carne, enroladinhos de salsicha e croquetes. 



Todos vivos? Hora do doce!! 

Ao contrário da primeira etapa, onde tudo é colocado na mesa e reposto quantas vezes necessário, as tortas doces ficam num balcão refrigerado. Podes servir quantas vezes desejares. Mas, de boa? Depois de tudo, normalmente não se chega nem perto. Lá tem Martha Rocha, Negrinho, Pavê de Chocolate, Torta de Morango e de Nozes, de Limão e Aveia, além de uma diet de Abacaxi. 


Para quem vai acompanhado de crianças há uma pequena e charmosa brinquedoteca. 


Ufa! Melhor rolar até o deck, aproveitar para sentar, curtir a vista e "tomar" um arzinho. 









2 comentários

Para o Topo