Um encontro inusitado: Barra do Ribeiro, Rio Grande do Sul.



Trabalhar e turistar, algo que norteou muito minha atividade profissional ao longo de muitos anos, mas que nos últimos dois ou três anos quase não acontece. Pois bem, nessa semana fomos rapidamente numa cidade que dista 60Km de Porto Alegre, num bate-e-volta. O mais surpreendente foi o fato de jamais termos estado ali, quando rodamos o mundo para nos encantarmos com lugares tão simples como aquele - me fez lembrar Belmonte. Lá estávamos, percorrendo as poucas e simpáticas ruas de Barra do Ribeiro


A pequena cidade Açoriana foi fundada em 1.800, na junção do Rio Ribeiro com o Rio Guaíba (Lago ou Estuário, como preferirem), na Barra. Vilarejo formado junto a uma Charqueada, virou porto e hoje é uma cidade bucólica, com suas praias de água doce e suas casas quase centenárias - a da foto é de 1934. 


Poucas pessoas andavam pelas ruas na tarde quente e abafada, alguns poucos se banhavam nas águas doces junto as areias grossas do rio, estavam todos escondidos em suas casas e locais de trabalho. E nós? Fizemos uma pausa antes de retornarmos, tomamos um sorvete e saímos para uma caminhadinha no entorno da área central. 

O sorvete, cheio de guloseimas (algo raríssimo), estava delicioso. 


Do Fórum saímos em direção a Igreja, pois avistamos seu lindo pináculo e já morremos de amores por ela. Lembram que falei que a cidade é de colonização portuguesa? Não esperem grandes prédios, apenas simpáticas residências e uma linda Igreja. 


Percorri apenas uma quadra, entre o Fórum e a Igreja, parando a cada cinco passos para fotografar. Adoro as casas antigas e coloridas, como as que trago em minha memória afetiva. Lindas! Essa é de 1910. 



O prédio da Prefeitura Municipal, um charme, junto ao calçadão. Observem o detalhe da inscrição da data - 1911. 



Há de todos os anos. A verdinha é de 1918. 


O que faz esse peixe aí em cima? Não achei a inscrição com o ano, apenas uma que a nomina de Villa Maria: 


E ali, no final da quadra, estava a Igreja. Mais uma que encontro com apenas uma Torre, mas com um lindo pináculo gótico - me lembrou, instantaneamente, o da Catedral de Chartres. 


Dedicada a São José, estava fechada. Não tivemos dúvidas, abrimos um portão lateral e fomos perguntando se podíamos visitar, ainda que rapidamente. A senhora que fazia a limpeza foi de uma simpatia impar, nos recebeu com todo o carinho e nos deixou rezar e fotografar sem pressa. E aproveitamos. 

Não sei precisar o ano da edificação, não encontrei registros, mas é simples e bela. Na parede interna uma placa informa o nome daqueles que doaram os Ladrilhos Hidráulicos do belíssimo piso, trazendo a informação do ano: 1937. O que acharam da simetria e cores dos ladrilhos? Eu amei, claro. Provavelmente originário de uma das fábricas existentes na cidade de Pelotas. Apesar de seus quase oitenta anos, está impecável. 



Não há qualquer sinal de riqueza em seu interior, não há imagens seculares ou revestimentos em materiais nobres, apenas a delicadeza  nos cuidados. Observem a singeleza do céu estrelado - estrelas douradas: 



Cumprido o ritual dos três pedidos (já falei deles aqui no Mochilinha), partimos apressadas, tínhamos muitos compromissos para cumprir. Mas fomos dando pequenas paradas para apreciar detalhes e fotografar a cidade. 




Tão lindos os antigos armazéns, embora em situação de abandono. Dariam ótimos espaços culturais junto ao rio, não? 


Gargalhadas chamaram nossa atenção, fomos espiar uma das prainhas, onde um pequeno grupo se divertia com brincadeiras na água. 


Observei que há uma linda pousada nas margens do rio, com restaurante, piscinas e área de camping, além da hotelaria. 

O que pensei quando me deparei com um prédio antigo, bem conservado e com a inscrição "Fábrica de Gaiteiros"? Gaita. Como assim uma fábrica de gaiteiros? Pois é, pesquisamos ainda no carro - curiosas. 


Estávamos em frente a sede do Instituto Renato Borguetti, um prédio de 1932, totalmente restaurado. Senti vergonha de desconhecer tão lindo projeto, confesso. Renato é o gaiteiro da nova geração, um carinha tímido que anda com um chapéu enfiado na cabeça e alpargatas nos pés, mas que ganhou o mundo. Calado, sua voz são os sons que tira do Acordeão Diatônico, nossa Gaita de 8 Baixos. 

O projeto é sensacional, descobri. Pretendo retornar com calma para conhecer o trabalho, quem sabe assistir um espetáculo. Para os curiosos, como eu, deixo o site para melhor compreensão da importância do projeto: Fábrica de Gaiteiros. 

Mais algumas imagens e pegamos a rodovia, para retornar ao trabalho. Em menos de uma hora demos vida ao nosso dia, colorimos a tarde e nos pareceu, por minutos, que estávamos em férias. E Porto Alegre fica linda, olhando da estrada, não?



2 comentários

  1. Nunca tinha ouvido falar nessa cidade, mas achei suas fotos encantadoras (como sempre!!).
    ;)

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    1. É pequenininha, mesmo. Ao lado da cidade de Guaiba. Obrigada!! BjO!!

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