Visitei Chiquinho: Basílica de São Francisco de Assis.




Faz tempo que passei a gostar de um cara simpaticão, simples e amante dos animais. Minha lembrança mais remota do Chiquinho, sim fui ficando intima, é da oração repetida a exaustão lá nos tempos da catequese. Posteriormente, já no grupo de jovens, a tocava ao violão com carinho, pois é linda. São Francisco de Assis, entretanto, nunca foi um Santo de devoção em meu grupo social. O tempo passou, o catolicismo foi ficando no passado e meu carinho por Chiquinho foi crescendo, aos poucos me vi comprando imagens e, hoje, acho ele "o cara". 


Nas vezes em que estive na Itália, nunca me ocorreu visitar seu Santuário, ao contrário do que aconteceu com Fátima em Portugal, que coloquei no roteiro na primeira oportunidade. Para nossa última estada em terras italianas, fecharíamos o roteiro em Roma, provenientes de Capalbio. Poucos dias antes da partida, naquela análise final do roteiro, olho para o mapa e começo a considerar que Capalbio era "fora de mão", impliquei e do nada olho para o lado e vejo Assis. Foi como um imã, me chamou - perguntei para uma amiga: Capalbio ou Assis? A resposta veio clara: Assisi, toda vida! 

Reserva hoteleira desfeita, uma guinadinha no trajeto em direção a Úmbria e encontraríamos Francisco no domingo, na Páscoa. O engraçado é que a idéia me pareceu tão boa, tão completa, que sequer busquei informações sobre a cidade, o que ver, o que não deixar de ver de forma alguma. Apenas entrou no roteiro, tomou seu lugar com propriedade. E, numa bela manhã de sol, já com os presentes do Coelhinho em mãos, partimos por lindas estradas até avistarmos uma colina.




Chegamos, Assis estava a nossa frente - ela e uma multidão de peregrinos. Como não havia pensado nisso? Céus!! 


Nos dirigimos para os lados da Fortaleza, distante de onde seria, efetivamente, nosso destino. Já que estávamos lá, melhor aproveitar e passear, conhecê-la. Congestionamento, todos pareciam ter tido a mesma idéia. Relaxamos, caminhamos e decidimos procurar o hotel. Tentamos trafegar no interior da cidade murada, mas a multidão tomava as ruas e não tínhamos certeza do trajeto a seguir - embora o hotel disponibilizasse garagem, resolvemos deixar o carro num estacionamento público (pago), junto a uma das entradas da cidade histórica e partimos só com as mochilas e pertences suficientes para o período. 



Meu primeiro pensamento? Tudo sobe, sobe... Caminhamos em meio aos peregrinos até chegarmos ao Hotel Giotto, bonitinho e com uma vista esplêndida dos campos verdes. Procedimentos concluídos, largamos as mochilas e partimos para explorar a cidade e encontrar Chiquinho. 



Fomos ao Santuário, uma linda construção num dos extremos da cidade murada. O complexo é bonito, a vista da parte alta é magnifica e o interior do templo possui obras belíssimas. Posso confessar que não senti nada especial em lá estando? Acho que a gritaria, o grande fluxo de pessoas e o excessivo controle das fotos na parte interna, me desagradaram - quem mandou ir a um lugar de peregrinação em dia de festa? Pois é. 

 


O interior da Basílica é lindo, colorido, com afrescos impressionantes. Os mais antigos, de Cimabue (executados por volta do ano de 1280), estão bastante danificados. A vida de Cristo, executados por Giotto entre 1296 e 1304, é uma obra encantadora. Mas como toda obra que sobrevive aos séculos, não se dá bem com nossos artefatos modernos, sendo o flash o pior dos inimigos - daí a proibição de fotografar. Eu tenho sérios problemas com tal proibição, pois minhas fotos são minha memória externa, a que me permite relembrar os detalhes e trazer um pouco do encantamento do momento. Bom, é proibido e ponto. Pior? Num dia de peregrinação intensiva, os guardadores não paravam de gritar "no photo". Respirei fundo (ops, sabiam que a respiração das milhares de pessoas que a visitam causam umidade e também prejudicam os trabalhos de manutenção e restauração dos afrescos?), fiz uma oração e fomos para a cripta, visitar o espaço onde se encontra sepultado São Francisco. A foto a seguir é de divulgação e se encontra licenciada como de domínio público no Wikipedia, com um pouco das cores de Giotto: 


Na cripta todos fotografavam, livremente e sob a supervisão de um religioso. Estranho poder fotografar um túmulo, né? Mas vá lá... 


Sai dali com um certo desencanto, confesso. Fomos visitar os espaços exteriores, subimos a ingrime escadaria, chegamos ao gramado, deixamos os olhos correrem ao longe. Acho que ali encontrei o Francisco que fui visitar, junto aquele verde, numa tarde fria de sol e céu muito azul. A Paz que tanto pregou estava lá, em tudo, inclusive em tantas inscrições. Foi a parte mais gostosa da visita ao Santuário. 





Nesse momento, lembrei de meu trecho preferido da Oração de São Francisco de Assis e o cantarolei em pensamentos, como fiz tantas vezes ao longo da vida. Acho que é um trechinho que nos dá poder, o poder de sermos melhores, sem esperarmos pelo outro: 

"Ó Mestre, fazei que eu procure mais, 
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar, que ser amado,
Pois é dando, que se recebe..."! 






Assis, entretanto, é muito mais do que a Basílica e tudo o que cerca a devoção a São Francisco, mas vive muito da Fé. Ele está presente em tudo, nas lojas, no artesanato, nas inscrições. É, também, um patrimônio arquitetônico preservado e possui um museu pequeno e simpático. Creio que em dias mais calmos, apesar da pequena cidade receber mais de 5 milhões de visitantes por ano (será que há um dia de calmaria?), seja possível analisar com calma os afrescos de Giotto e encontrar um pouco da Paz que Francisco tanto pregou. 


Dali partimos para explorar a cidade, que nos esperava com suas ruas de pedras, seu casario simpático e suas ladeiras ingrimes. 





2 comentários

  1. Achei Assis um lugar mágico! Sei que cada um sente de uma forma, mas uma forte emoção se apoderou de mim desde a porta da basílica. Assim como você, São Francisco não era exatamente o meu santo de devoção, mas depois da visita a minha relação com ele ficou mais íntima e de fé.

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    1. Foi o que aconteceu comigo em Fátima, Isabella. Inexplicável. BjO!

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