Troca-troca: Brincadeira entre Blogueiros.


A Melissa do Descortinando Horizontes convidou para uma espécie de blogagem coletiva - uma brincadeira entre blogueiros, um troca-troca de informações literárias. Topei, é claro, porque embora não seja sobre viagens, considero os livros nossas primeiras grandes aventuras. 

Os livros nos permitem transcender, criar, compartilhar, viver e viajar sem a necessidade de sairmos do lugar, sem impedimentos financeiros, de tempo, de saúde, etc. Para se entregar, bastam alguns minutos. E por esse leque de possibilidades, os livros sempre foram meus companheiros, em todos os momentos da Vida. Me fizeram muita companhia na infância, me fizeram sonhar na adolescência, me supriram de elementos para ser quem sou hoje. 

Tenho com meus livros uma relação de amizade, de amor e destempero, de proximidade e distanciamento. Leio muito, em outras épocas pouco (fico brigada com as letrinhas), quando me reencontro com eles passamos horas e horas nas madrugadas, trocando informações, impressões. Com alguns a relação é de paixão, daquelas que nos acompanham pela vida toda. Com outros, nos mostramos e nos escondemos, formamos impressões que com o tempo se alteram e se transformam - com aqueles lidos e relidos ao longo dos tempos, onde as experiências cotidianas e a maturidade dão novos tons, outras cores. E com outros, a relação é de amor, daqueles que damos as mãos e envelhecemos juntos, somando minhas rugas às suas páginas amareladas. Alguns, entretanto, ficaram apenas na memória e devem estar nas prateleiras empoeiradas da biblioteca escolar da infância. Outros tantos partiram, foram dividir sua existência com outras pessoas, deixando apenas lembranças. 

Vou seguir, mais ou menos, o roteiro da Mel, de acordo com a importância deles ao longo dos anos. 


1. Meu primeiro Livro (ou, os primeiros!)

Não saberia precisar, então direi do que lembro de mais remoto. Lembro de ter ganho de aniversário de 4 anos uma bolsinha plástica com uma coleção de pequenos livros, onde o que se sobrepunha aos demais era o da história do "Topo Gigio" - a deixava sobre a escrivaninha do quarto, como um bibelô. Na mesma ocasião, ganhei um da história da "Bela e a Fera", daqueles que podem ser pendurados como um móbile - tinha paixão por ele, com sua capa verde. 

O terceiro livro e o mais importante deles para a minha vida é o "Pé de Pilão", do Mário Quintana - minha primeira sessão de autógrafos, acredito que aos cinco anos. 

Guardo os dois últimos, com todo carinho. Tenho um cuidado especial com o do Mário, pois guardei aquela tarde na memória, o carinho com que aquele senhor colocava cada uma das crianças da fila no colo enquanto escrevia a dedicatória - daqueles momentos em que uma criança se transforma numa leitora. Anos depois, quando retornava da escola já no ensino médio, passava pela pracinha onde ele tomava sol, com sua bengala, olhando o movimento. Algumas vezes acenava e ele retribuía com um sorriso tímido, com um "q" melancólico. Ainda hoje ao passar por aquela pequena praça, lembro dele. 

No primeiro ano da escola descobri que podia ser "dona" de uma biblioteca, bastando ter uma carteirinha branca que me dava o poder de levar histórias para a casa - muitas foram as carteirinhas brancas, verdes, amarelas ao longo dos anos, sendo que guardo uma delas de recordação. Despertei para o Mundo. Li compulsivamente ao longo da infância. E daquelas prateleiras, lembro de ter me encantado com o livro dos "101 Dálmatas", uma edição de capa dura e colorida, que devo ter levado para casa dezenas e dezenas de vezes. 

E então, quando meus dotes como leitora já estavam mais desenvolvidos (seis anos), li uma edição antiguissima que temos em casa, do "Pinóquio" - um livro já com suas páginas amareladas pelas décadas de existência. Foi sem dúvida a primeira edição antiga que tive em mãos e quando percebi que os livros e suas histórias são eternas. 

Para encerrar a fase de descobrimentos, preciso contar a história de dez negrinhos. Minha irmã, já adolescente, tinha uma edição do livro. Eu, mega metida, gostei do nome e do desenho da capa, algumas crianças negras. Logo dei um jeito de pegá-lo escondida e levei um susto, mas fui lendo, me assustando, lendo - era "O caso dos dez negrinhos" de Aghata Christie. 

O livro de Aghata Christie inaugurou minha mania de ler livros impróprios para minha idade, o que fez com que muitos deles fossem relidos e ganhassem novos sentidos ao longo dos anos. 

2. Livros da Infância e Adolescência 

Em casa tínhamos muitas coleções, enciclopédias e etc. Então, acho que por isso, peguei o gosto pela leitura de diversas obras do mesmo autor, de ir conhecendo seus trejeitos, ir comparando. 

Li toda a obra infanto-juvenil de Monteiro Lobato, era modinha na época. Mas confesso que dele gostava mesmo era da série televisiva. 

Me encontrei, entretanto, em Érico Verissimo, de quem ao longo dos anos li toda a obra, do infantil ao adulto, passando pela Trilogia "O Tempo e o Vento", a estória (com muito de história) mais linda e emocionante já lida por mim. 

E como filha de professora, recebia em casa a coleção Vaga-Lume, também lida integralmente, dando ênfase para "Um cadáver ouve rádio" - lido aos dez anos. 

Nunca tive paciência para romances melosos, escritos para o público jovem. Na época, lia clássicos e muitos e muitos livros de história, especialmente Medieval e da Segunda Guerra Mundial. Livros como "Esau e Jacó", "Iracema", "O Guarani", "O Cortiço", "Senhora" e tantos outros foram lidos mais de uma vez. Depois de meu encantamento pelos livros de História, descobri que os livros de minha mãe, professora de História da Arte, eram ainda mais encantadores - li todos, descobri Monet, Degas, Bonnard, Renoir e Bazille. 

3. Paixões da Vida

As curvas dos caminhos fizeram com que esquecesse de muitos livros lidos e amados. Outros, jamais sairão da memória, como "Terras do Sem Fim", que deu origem ao nosso roteiro de férias pela Bahia e as postagens de "Pelos Caminhos de Jorge", aqui no blog. Outros se perderam da memória. Mas, gosto sempre de frisar minha paixão por biografias, por histórias reais, onde as doses de paixão, dor e alegrias foram na medida de uma vida. Então, saliento: "O Diário de Anne Frank", "O Amor é um Pássaro Vermelho", "Cazuza: só as mães são felizes", "Flores Raras e Banalíssimas" e "One Art" (um livro de cartas).  

4. Últimos livros lidos (e as pilhas na mesinha de cabeceira)

Nos últimos meses retomei o gosto pela leitura diária, mais intensa. Mas também ando mais impaciente. Então, tenho optado por mesclar leituras com releituras, normalmente de contos. Alguns mais intensos com outros que são pura diversão, tiro rápido e certeiro. E, por isso, alguns se transformaram em exemplares cativos da mesinha e, outros, intensos e passageiros. 

Nas últimas semanas reli "Terras do Sem Fim", tentei ler e abandonei "A menina que roubava livros" (disse que andava impaciente, não?), li algumas coisas de Martha Medeiros, "Morrer de Prazer" do Ruy Castro, "O tempo não para: viva Cazuza", "Paris para principiantes", entre outros. 

O último livro lido e muito apreciado foi "As Duas Guerras de Vlado Herzog", de Audálio Dantas. Sou uma apaixonada por história e esse livro é um misto de história e linguagem jornalistica, um primor. Recomendo. 

Para hoje tenho um livro que muitos anos atrás me foi emprestado para leitura, mas estava com sérios problemas de saúde e não achei que fosse o momento, devolvi sem ler. Nunca mais lembrei de sua existência. Outro dia, numa brincadeira no facebook, a Marcie do AoB colocou em sua listinha, com a observação que o recomendava. Lembrei. Então, hoje é o dia de "O Museu da Inocência", de Orhan Pamuk. 

O próximo que pretendo ler é "Pergunte ao Pó", retirado da listinha da Mage, do Milão nas Mãos. Só que ainda não o encontrei nas livrarias, parece que está em falta. 

E o que tenho sobre a mesinha que vou mesclando com os livros acima nominados? Bom, eclético deve ser a melhor designação. Contos, prosa, cartas e diversão. "Coisas da Vida" de Martha Medeiros, "A última coisa que pretendo fazer na vida é morrer" e "Quando o poder corrompe, corrompe a não mais poder", ambos de Ciro Pellicano e "Correspondências", de Clarice Lispector. Um time de respeito, não? daqueles para ler e reler, entremear com outras leituras mais intensas ou, apenas, para abrir e ler um trechinho aleatório quando o sono não permite leituras extensas. 

5. Perguntas

a. Já comprou algum livro pela Capa? 

Somente pela capa, acho que não. 


b. Gosta de literatura brasileira? 

Muito, essencialmente. Li os clássicos e acho que me apeguei a linguagem. Acredito que oitenta por cento do que leio seja nacional. 


c. Tem o costume de ler E-Books? Por quê? 

Não. Tenho tentado. Mas verdade? Não rola. Acho que tenho rituais que o e-book não permite. Gosto de ler as orelhinhas, viajar na capa, virar páginas, fazer anotações. Parte da minha memória, especialmente nos últimos anos, é fotográfica - assim, gravo se o trecho está a direita ou esquerda, no inicio/meio/fim da página... O distanciamento do eletrônico me tira a atenção, não me prende, especialmente em trechos longos - não vivo aquela história. 

Coisas da idade, costumo brincar. Não sou da geração virtual, gosto de ter marcadores de páginas, canetas, rabiscar, fazer parte daquele livro, daquela história. Até hoje lembro que o livro do "Pinóquio" tinha um cheiro forte, de mofo, da poeira da estante e isso tem mais de trinta anos. 

Tenho tentado Contos, um pouco mais fácil, mas sem muito interesse, mesmo. 


d. Prefere ler sagas ou livros únicos?

A única saga que li foi a trilogia "O Tempo e o Vento". Também gostava muito de ler enciclopédias, que de uma certa forma são informações em série, que se complementam. Teve uma época que lia por bibliografia, pegava a lista de um determinado autor e lia, lia - Jorge Amado, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa... 


e. Já deixou de fazer algo, esqueceu, por estar concentrado em leitura?

A Vida toda. Esquecer de comer e de dormir, tá valendo? Cansei de ir sem dormir para a escola ou faculdade, por ter passado a noite lendo compulsivamente. Sempre amei ler "de carreirinha", sem parar, até a última página. Quer saber se um livro me ganhou? Pergunte quanto tempo levei para lê-lo. Se ele entrou para minha Vida? Pergunte quantas vezes o reli. 


Mel, adorei. Minha segunda blogagem coletiva e as duas por convites seus. Obrigada! 

Não saberia a quem chamar, sei que muitos não curtem publicar esse tipo de postagem no blog, etc. Então, deixo em aberto, quem ler e curtir, vai lá e publica o seu. Só não esqueça de me chamar para ler, ok? 






8 comentários

  1. Olá Paulinha! Adorei seu post!! Quando chegar em casa compartilho nas minhas redes! Aqui não é possivel! Parabens!

    Eu tb lia os livros da Vaga-Lume, como me esquecer disso!

    Fiquei com vontade de ler vários que vc comentou e lamento nao te lido outros quando nova... Meu quarto também tem pilhas de livros na cabeceira rsrrs e eu fico dividida entre eles também!

    Também adoro sublinhar os livros, às vezes escrever neles, tirar cópia de boas partes e enviar por email rsrsr.

    Adorei sua postagem. Que bom que vc gostou de participar!!! Adorei ter lido! Participo de algumas coisas coletivas, nem todas também, mas algumas fico animada! Como essa sobre os livros! Obrigada pelas dicas! beijão

    Até a próxima! ;)

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    1. O prazer foi meu, uma delicia. Obrigada! BjO!

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  2. Adoro ler e quando passo em algum post que fala sobre livros sempre paro para ler.]
    Normalmente passo por aqui, leio e não comento.
    Parabéns pela blogagem coletiva!!!

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    1. Blogagens coletivas sempre movimentam a galera, é uma ótima oportunidade para partilhar, interagir. Obrigada pelas visitas Marilia! Abraços.

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  3. Maravilhosa essa idéia, Paula. Alguns amigos meus também fizeram a lista dos 10 livros da vida no facebook e de lá tirei algumas dicas de leitura, como parece que fizeste. Taí uma serventia para essas tantas redes sociais, além das bobagens que tanto nos distraem, é claro. Sou uma apaixonada por seus textos, sempre maravilhosos e pela sua listinha de leituras logo se vê as razões da qualidade. Parabéns. Beijo.

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    1. Lucia, obrigada. Quanto a interação nas redes, temos que tirar dela o melhor, não é mesmo? Sabendo levar dá para fazer um misto de diversão, distração e troca de informações, bem legal. Abraço.

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  4. Oi Paula,

    Eu tb li o Pé de Pilão! Que delícia de livro, boas lembranças. Não tive o prazer de um autográfo do Mário, o que seria um sonho! Tenho o do Ziraldo, no meu livro do Menino Maluquinho, conseguido em uma feira do livro em Porto Alegre.

    beijo

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    1. Acredita que não li O Menino Maluquinho? Tenho ótimas recordações do velhinho, acho que o autógrafo, naquele momento, foi um estimulo muito especial à leitura. BjO, Cris!

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